Foi a primeira vez que assisti jogo de Copa do Mundo tomando café com leite e comendo pão amanhecido. Há o aspecto positivo: mais sóbrio impossível.
Brasil x Turquia foi dessas partidas que ficam mais na memória que pão com mortadela e tubaína quente. Daqui a alguns anos, na mesa de um bar, sempre vai ter alguém para rememorar: como é mesmo o nome daquele juiz coreano que fez aquilo na estréia do Brasil naquela copa do mundo realizada não sei onde, naquele horário horroroso?
Jogadores de ambas as equipes foram agarrados, pisados e empurrados dentro das áreas em diversos momentos. Dava para marcar um pênalti a cada lance de área. Mas o árbitro coreano Kim Young-Joo conseguiu entrar para a história do futebol duas vezes em apenas 90 minutos.
Ao iniciar a partida entre Brasil e Turquia, gravou seu nome como o primeiro árbitro coreano a apitar um jogo de Copa do Mundo. No final da partida conseguiu outro feito inédito, porém nada honroso. Kim virou sinônimo de lambança. Reinventou a marcação do pênalti, até então, uma penalidade máxima cometida dentro da área.
Nem o mais fanático corintiano, acostumado com os Castrillis e Simons deste mundão de meu Deus, esperava um erro tão acintoso do árbitro. Ele marcou um pênalti quando a falta havia sido feita distante mais de 10 metros da grande área.
A cena foi tragicômica. Luizão pegou a bola numa bobeira do goleiro Rustu que saiu jogando errado. Avançou e sua camisa foi agarrada pelo defensor turco. No melhor estilo trator de esteira, ele literalmente arrastou o beque até a entrada da área. Quando percebeu a risca, se jogou no chão. Kim Young-Joo, o mais novo candidato a ficar na geladeira do futebol, caiu como um pato em noite de tiro ao alvo.
O zeloso Ricardo Teixeira, presidente da CBF, deveria fazer uma estátua e instituir o ‘‘Dia de São Kim’’.
- O Brasil surpreendeu. Quem esperava um time desorganizado, batendo cabeça como nos amistosos, ficou satisfeito. Com exceção da defesa, onde os três zagueiros, que até têm alguma qualidade técnica, estavam imaginando ser Pelé, tentando dribles sem necessidade, o time se comportou bem. O ataque criou jogadas de gol e o meio-campo esteve, se não brilhante, pelo menos dentro de padrões aceitáveis.
- Rivaldo, que muitos criticam, deu o passe para o primeiro gol, fez um de pênalti, outro anulado injustamente pela arbitragem, e ainda cavou a expulsão de um defensor da Turquia. Mas tem gente que prefere o Luizão, fazer o quê?!.
- Guga perdeu e está fora do torneio de Roland Garros. Não tem nada de anormal nisso. Muita gente anda dizendo que ele já não é mais o mesmo depois da cirurgia que fez para sanar um problema no quadril. Ora, ele ainda está em fase de readaptação. Pedir que ele jogue como antes, só no ano que vem.

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