'Na época, o Comercial dominava tudo''
Natural de Assis (SP), onde ainda tem parentes, Dirceu Funari conta que aos 16 anos já ganhava algum dinheiro jogando futebol, autorizado pelo pai. Lateral direito, quando chegou a Cornélio Procópio, em 1957, estava com 28 anos. Entre os times anteriores, permanecera um ano na Ponte Preta (Campinas) e a seguir 90 dias no Palmeiras (São Paulo), onde fez amizade com o célebre goleiro Oberdan Cattani. ''Era ele, Oberdan, quem me protegia lá.''
Funari lembra que o Norte assumiu a hegemonia do futebol paranaense em 1961, pela primeira vez, quando o Comercial e a Associação Esportiva Jacarezinho decidiram o estadual, tendo sido eliminados os representantes de Curitiba e do Sul. O time procopense venceu e acrescentou o título estadual a dois norte-paranaenses (58 e 61). ''Na época, o Comercial dominava tudo'', diz Funari. A seguir, houve a eliminação da Copa do Brasil, ante o Metropol, de Criciúma (SC).
A supremacia do Norte se manteria, com o Londrina de Futebol e Regatas em 1962 e o Grêmio Maringá a seguir.
''O Norte pagava os melhores salários, nem Curitiba igualava. Tinha lá uns três ou quatro times e só depois melhoraram'', recoda Funari. A título de complemento salarial era oferecido emprego aos ''craques'' e Funari ingressou no Banco Comercial do Paraná: ''Fiquei mais de 10 anos, fui contador e depois fiquei gerente''.
Quarto zagueiro, por vezes central, Vitão foi contratado pelo Comercial e convidado a trabalhar na agência da Caixa Econômica Federal, emprego que seria o da aposentadoria e por isso antecipou o encerramento da carreira de jogador. Descendente de lituanos, seu nome é Vitor Gedminas e aos 77 anos recorda que começou a jogar entre juvenis, em São Carlos (SP), sua cidade natal. ''Em 1957 saí do Marília Atlético Clube, dei uma passada em Palmital (SP), vim para cá e fomos campeões em 58'', resume a sua transferência para o Comercial. Na década 60 defende outros clubes e no Grêmio Maringá enfrenta o célebre ataque do Santos: Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
Resultado: 11 a 1 para o Santos. ''O Roderley tentou passar a bola entre as pernas do Pelé e o baile começou...''
O lateral esquerdo Pedro Matias ('Pedrinho') já estava há dois anos no XV de Jaú (SP) ao se transferir para o Comercial. ''A melhor coisa foi vir para cá'', traduz a satisfação de permanecer na cidade, onde se casou e nasceram os filhos, além do reconhecimento pelo futebol. Idênticas são as histórias familiares de Vitão e Funari. (W.S.)





