Na Austrália, colegas 'isolam' tenista flagrado em antidoping
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quarta-feira, 20 de janeiro de 1999
Agência Estado 
O escândalo de doping envolvendo o atual campeão do Australian Open, o checo Petr Korda, dominou o dia em Melbourne, agora com novas acusações feitas pelo ex-número 1 do mundo, o norte-americano Jim Courier. Ele espera que este episódio com Korda leve os organizadores do tênis a manter um controle mais efetivo e clarear suspeitas que já rondaram grandes estrelas do esporte, mas que até hoje não sofreram punições ou deram explicações. Exames deram resultados positivo nas amostras colhidas de Korda durante Wimbledon-98.
Para muitos, como o próprio Courier, é uma vergonha que uma modalidade milionária como o tênis não faça um controle mais rígido de antidoping. Não sei como alguém pode jogar 35 semanas de torneios, disse Courier. Eu não conseguiria e acho que ninguém também suportaria, mas há muitos jogadores que fazem isso, ele ironizou. Petr Korda não quis falar no assunto. Disse apenas que seu caso está em um outro nível e, por enquanto, não dá entrevistas sobre doping.
Ontem, ele fez sua estréia no Aberto da Austrália, num jogo triste e polêmico para um campeão de Grand Slam. Não jogou na quadra central e ainda fingiu uma contusão para desconcentrar o adversário, o espanhol Galo Branco. O checo venceu apenas no quinto set, com parciais de 6/3, 6/7 (7/1), 6/4, 6/7 (7/4) e 6/2. No final do jogo, os dois tenistas nem sequer se cumprimentaram, como manda a tradição do esporte.
Não sei porque o Galo Blanco não quis me cumprimentar, afirmou Korda. Acho que foi por causa do tempo em que fiquei parado para colocar uma atadura no meu tornozelo. Galo Blanco, com cara de poucos amigos, revelou que nunca tinha visto um jogador contundido no tornozelo recuperar-se tão rápido. Não fez um jogo limpo, reclamou o espanhol. Por isso não fui cumprimentá-lo.
Uma das maiores tenistas de todos os tempos, a checa naturalizada norte-americana Martina Navratilova revela em seu livro autobiográfico que fez uso de anabolizantes para tornar-se forte e invencível nas quadras. Não fosse o doping, talvez não tivesse conquistado tantos títulos, apesar de seu indiscutível talento.
As suspeitas rondam muitos tenistas no circuito atualmente. Mas, como não há uma punição severa, continuam jogando, só que, coincidentemente, sem alcançar os mesmos resultados. O austríaco Thomas Muster foi um dos envolvidos em histórias de doping e, a partir de então, deixou de ser o rei do saibro, como era chamado. Michael Chang, de pernas fortes e rápidas como poucos no mundo, já não é tão temível como antes. E os nomes são muitos, entre os jogadores que, de repente, tomam formas vigorosas.
Por isso, o ex-número 1 do mundo, Jim Courier, pediu que em casos como o de Petr Korda, o tenista fosse banido do circuito.
Meligeni é derrotado - O que parecia impossível esteve bem próximo de acontecer para Fernando Meligeni. Como ele mesmo definiu, chegou a ter a partida nas mãos diante do norte-americano Todd Martin, mas, depois de abrir vantagem de 2 a 0, não resistiu ao bom tênis do adversário - um especialista em quadras rápidas, como as do Melbourne Park - e caiu na estréia do Aberto da Austrália, ao perder ontem por 3/6, 4/6, 6/3, 6/4 e 6/1. É difícil engolir uma derrota como estas, afirmou Meligeni. Estive, pode se dizer assim, com a partida nas mãos diante de um adversário como o Martin e deixei escapar.
Na verdade, Meligeni lutou e fez o que pôde para superar um adversário tecnicamente muito forte em quadras sintéticas. Correu tanto e fez jogadas tão bonitas que chegou a ganhar o apoio da torcida, até então toda do lado do norte-americano.
Já Gustavo Kuerten, 23º do ranking, tentaria na madrugada de hoje (a uma hora da manhã, de Brasília) manter a expectativa de uma boa campanha, ao enfrentar o russo Marat Safin, 47º.


