Buenos Aires - O jogador Carlos Tevez está passando seus dias na capital argentina dedicado intensamente à cumbia, seu gênero musical preferido. Após ter aparecido inesperadamente na apresentação do grupo Los Palmeras (Os Palmeiras) na segunda-feira à noite no Teatro Gran Rex, no qual cantou o hit ''Bombón Asesino'' (Bombom Assassino), Tevez reuniu-se com seu grupo musical, o Piola Vago (Espertalhão Vagal), para gravar o segundo CD da banda. O jogador não fez declarações à imprensa e continua mantendo uma atitude discreta.
Junto com um grupo de nove amigos de seu antigo bairro, o Fuerte Apache, Tevez fundou o Piola Vago em 2003. O jogador decidiu criar a banda para que os amigos da infância continuassem tendo um motivo para se encontrar e não se separassem. O plano de criar uma banda de cumbia (gênero musical de remotas origens colombianas que nos últimos 15 anos transformou-se no ritmo mais popular da Argentina, especialmente na classe baixa) deparou-se com o problema de que quase nenhum dos integrantes sabia tocar um instrumento. Tevez, no entanto, não considerou que isso fosse um obstáculo. O próprio jogador confessou anos atrás: ''Não sou músico, nem sei cantar...só faço isso porque os rapazes me pedem''.
O primeiro CD, ''Los Pibes del Barrio'' (Os garotos do bairro), teve destaque entre o público argentino, mas não chegou a tornar-se um hit. No ano passado, o CD vendeu 30 mil cópias, um volume baixo se for levado em conta que na cumbia, para ser considerado um sucesso, é preciso vender pelo menos 100 mil CDs.
No primeiro CD Tevez era o autor de sete das 13 canções, entre elas ''Mujer Ingrata'' (Mulher ingrata) e ''No sé que haré'' (Não sei o que farei). Suas letras tem como tema a apologia aos glúteos das garotas e seu instigante rebolado. A classe média e a classe alta argentina olham a cumbia com desprezo. Mais ainda a cumbia villera (cumbia favelada), sub-gênero preferido de Tevez, que possui letras explícitas sobre sexo, violência e criminalidade.
Depois da gravação, acompanhado de seus amigos, Tevez foi a um restaurante simples, fora do circuito da badalação portenha. No mesmo instante, no início da madrugada, diversos meios de comunicação no Brasil e na Argentina indicavam erroneamente que ele já estava de volta a São Paulo.
Fontes próximas ao círculo de amigos do jogador indicaram que Tevez teria arquivado totalmente a possibilidade de retornar ao Brasil ainda nesta semana. Segundo elas, Tevez possivelmente iria direto a Londres nos próximos dias para o jogo da Argentina contra o Brasil. Mas as fontes destacaram que as decisões de Tevez são sempre ''súbitas e inesperadas'', e que em relação ao jogador, ''qualquer coisa pode acontecer''.
Ontem, o presidente do Boca Juniors, Mauricio Macri, ofereceu as instalações do clube para que o jogador mantenha a forma enquanto não acerta sua situação contra o Corinthians. ''Tevez é um filho do Boca, e pode fazer o que quiser no clube, pois aqui é sua casa'', afirmou o dirigente.
Além da possibilidade da saída de Tevez, o Corinthians pode perder outro jogador da seleção argentina. De acordo com informações de jornais da Argentina, o volante Javier Mascherano pode ser negociado com o Arsenal, atual vice-campeão europeu. O representante do jogador, Walter Tamer, estaria em Londres e já teria iniciado as conversas com o clube inglês e com o presidente da MSI, o iraniano Kia Joorabchian.

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