São Paulo - Há dois anos, o futebol argentino passou por turbulência parecida ao que se vê no Brasil atualmente. Porém, no país vizinho a solução adotada foi inusitada e, pelo menos até aqui, nem mesmo pensada pelos dirigentes brasileiros. Lá, o futebol foi estatizado.
O controle do Estado começou em 2009. Após diversos conflitos entre o governo federal e o principal grupo de mídia do país, o Clarín, que tradicionalmente levava ao ar as partidas, o casal Néstor e Cristina Kirchner resolveu que o governo deveria controlar as transmissões. Nascia, então, o projeto ''Futebol para Todos''.
A decisão provocou mal-estar até mesmo dentro do governo. Na época, o vice-presidente Julio Cobos não escondeu sua indignação com o fato de o governo pagar 600 milhões de pesos (R$ 250 milhões) para os clubes. ''É uma cifra absurda, levando-se em consideração que o Ministério dos Esportes possui um teto de apenas 135 milhões de pesos para investir em programas sociais e esportes olímpicos'', observou Cobos.
Dois anos depois, o modelo é ampliado. Nesta temporada, além da transmissão dos jogos da elite do futebol, as demais divisões também foram contempladas, assim como competições continentais, como a Libertadores e a Copa América. No calendário esportivo da Argentina está prevista também a exibição das ligas nacionais de vôlei, basquete e rúgbi e a temporada do automobilismo nacional. (W.V./A.E.)

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