O catarinense Murilo Fischer, de 21 anos, ficou com a última vaga do ciclismo para os Jogos Olímpicos de Sydney, na prova de resistência. Funcionou a estratégia da Caloi/Vega/Londrina com oito ciclistas da equipe ‘controlando’ os 80 quilômetros da Volta Internacional 9 de Julho, do começo ao fim, para ‘armar’ a chegada de Murilo, em um ‘sprint’, na última volta. Com o tempo de 1h48min19s para as 20 voltas do circuito armado em frente ao Parque Villa Lobos, Murilo venceu ontem a tradicional 9 de Julho e confirmou a primeira posição no ranking brasileiro, com 277 pontos. A prova reuniu 1.500 atletas de cinco países – Brasil, Argentina, Chile, Estados Unidos e Uruguai. Daniel Rogelin, do Memorial Santos, foi o segundo ontem, seguido por André Luís Grizante, do EC São Caetano/Pirelli.
No feminino, mis uma vez, a ciclista Janildes Fernandes Silva venceu a prova 9 de Julho. A atleta que também defende a Caloi/Vega/Londrina, completou o percurso de 30 km em 49min03s. Com isso, a atleta conseguiu o tricampeonato da prova.
Murilo Fischer disse que continuará treinando em Londrina para os 240 quilômetros de Sydney, em setembro, com o técnico José Luís Vasconcellos. Ele lamentou que o treinador não possa acompanhá-lo à Olimpíada. ‘‘Seria bom, estou acostumado com o trabalho’’, disse Murilo, que começou no ciclismo de resistência em 1997, depois de uma breve passagem no mountain bike.
O presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo, José George Breve, o Passarinho, confirmou que o treinador da seleção será Gilson Alvaristo e não Vasconcellos (Janildes Fernandes e Cláudia Carceroni, na estrada, e Renato Seabra, no mountain bike são os outros classificados). ‘‘Isso a gente vai ouvir sempre’’, comentou Passarinho, sobre a queixa de Murilo, que gostaria de ter seu técnico em Sydney. ‘‘De que equipe é Gilson? De nenhuma, é técnico da confederação’’, disse Passarinho. ‘‘Não tem nenhuma necessidade de ser o técnico do atleta’’, frisou.
O treinador de Murilo, Luís Vasconcellos, não quis comentar os problemas de relacionamento entre a Caloi e a Confederação. ‘‘Política é algo complicado’’, observou. Mas sentiu não poder acompanhar Murilo em Sydney. Lamentou também que o critério fixado pela Confederação para a escolha dos representantes olímpicos – pontos no ranking brasileiro – tenha eliminado Luciano Pagliarini, que mora e compete na Europa (tem contrato com a equipe profissional Lampre). Em junho, o ciclista venceu a prova Porto da Itália, de 198 km, a frente de dois ciclistas italianos que vão à Olimpíada.
Vasconcellos vai direcionar os treinos de Murilo para Sydney. O ciclista continuará preparando-se em Londrina. O treinador acha que as características do circuito plano de 24 km de Sydney favorecem Murilo. ‘‘Ele costuma ir bem nesse tipo de competição’’, disse. Murilo aponta espanhóis e italianos como os favoritos em Sydney.

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