São Paulo - Se tinha algo que Muricy Ramalho se orgulhava era de ficar muito tempo em um clube. Foi assim no Internacional e no São Paulo. Agora, ele já não pode dizer a mesma coisa. Menos de oito meses depois de ser demitido do clube do Morumbi, o treinador foi dispensado ontem pelo Palmeiras.
A goleada sofrida para o São Caetano, na última quarta, por 4 a 1, no Palestra Itália, foi fatal ao técnico. Sua derrocada, porém, vem há semanas. E começou no ano passado, com a perda do título brasileiro e também a vaga na Copa Libertadores da América de 2010.
Já em dezembro, Gilberto Cipullo, vice-presidente de futebol, pediu a saída de Muricy. Luiz Gonzaga Belluzzo segurou o treinador e deu nova chance a ele. Os resultados, porém, não vieram. No próximo domingo, no clássico contra o São Paulo, o mais provável é que Jorge Parraga, técnico do time B, esteja no banco. Dificilmente a diretoria conseguirá contratar um novo comandante a tempo.
Os cartolas não falam em nomes e correm para achar alguém disponível no mercado. Não há quase ninguém - e quem está foge do perfil palmeirense. Paulo Autuori, atualmente no Al-Rayyan - e insatisfeito no Catar - e é um dos mais cotados. Antônio Carlos Zago, do São Caetano, também teve seu nome ventilado no Palestra Itália, assim como o ex-lateral Arce.
Gilberto Cipullo avisou que o novo treinador estará longe de receber o salário de Muricy ou mesmo Vanderlei Luxemburgo: cerca de R$ 500 mil por mês. ''Quem vier vai ser com o custo mais baixo'', garantiu. Muricy vai ganhar perto de R$ 2,5 milhões pelo Palmeiras ter rompido o contrato, que iria até dezembro. ''Fizemos um acordo financeiro. Temos a obrigação de pagar a metade do salário até o final'', explicou Cipullo.
Muricy chegou ao Palmeiras no fim de julho. Em 34 jogos, somou 13 vitórias, 11 empates e perdeu 10 vezes. No Estadual, não conseguiu dar padrão ao time. ''As coisas não se encaixaram com ele aqui, o time não vinha bem'', constatou Cipullo. ''Ainda é tempo de se fazer mudanças que não vão atrapalhar no andamento do Paulista e da Copa do Brasil''.
Após a derrota para o São Caetano, Belluzzo afirmou que haveria mudanças no clube. Ontem, ele se reuniu com Cipullo e depois com outros diretores. Só depois passou o recado a Muricy, que deixou a Academia de Futebol às 16h30 sem dar entrevistas. ''Ele recebeu a notícia com tranquilidade e entendeu'', contou Cipullo.
Toninho Cecílio, gerente de futebol, pediu demissão e também está fora do clube, que pretende trazer dois profissionais para a sua função. O conselheiro Paulo Nobre, que já foi vice no mandato de Affonso Della Monica, é um dos candidatos.

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