Yokohama - Enquanto os japoneses montavam o palco para a cerimônia de premiação do Mundial, Muricy Ramalho tinha uma rápida conversa com seus jogadores. E suas palavras foram repetidas fielmente por cada um que parou para falar na área de entrevistas: ''Esta derrota não apaga o grande ano que tivemos. Disputamos três finais e ganhamos duas (Paulistão e Libertadores), e nossa meta é voltar a participar do Mundial no ano que vem.''
Perder uma final por 4 a 0 é duro, especialmente em um Mundial, mas o fato de o adversário ter sido o Barcelona impregnou de conformismo o elenco santista. ''Não fomos o único time a perder de 4 a 0 deles. Os melhores times da Europa já sentiram na pele a força dessa equipe'', disse o meia Elano. ''Perder para o melhor time do mundo não é vergonha para ninguém. E nós ainda tivemos algumas oportunidades'', falou o zagueiro e capitão Edu Dracena. ''Eles são diferentes. Contra qualquer outro time nós teríamos condição de jogar de igual para igual'', opinou o goleiro Rafael.
A aula tática e técnica dada pelo Barcelona na final serviu para Muricy fazer um discurso pelo fim dos rótulos no futebol. Ele disse neste domingo que a equipe dirigida por Guardiola mostrou que, independente da quantidade de atacantes ou zagueiros, o importante é a movimentação e a ocupação dos espaços no campo.
''O Barcelona jogou num 3-7-0'', comentou o treinador santista, ressaltando que o rival entrou sem campo sem nenhum atacante de origem. ''Se fizer isso no Brasil, chamam a polícia para prender o técnico. Ficou provado que não é preciso ter três ou quatro atacantes para um time ser ofensivo'', completou Muricy.
Ele também disse que sua intenção ao armar o Santos no esquema 3-5-2 foi justamente ter mais gente no meio-de-campo para tentar dificultar a vida dos armadores do Barcelona. E, de quebra, dar liberdade para Paulo Henrique Ganso, Borges e Neymar tentarem resolver a partida no ataque. ''Nós fizemos o possível para pará-los, mas não conseguimos. A qualidade técnica deles decidiu o jogo, e temos de aceitar que o Barcelona é o melhor time do mundo. Essa derrota não vai nos abalar'', avisou Muricy.
''Perder para esse time não tem nenhum impacto. É preciso saber que jogamos três finais nesse ano. O time fez um grande trabalho e teve um ano muito positivo'', disse Muricy. ''Não adianta procurar defeito, é ter a sabedoria de que o adversário é o melhor do mundo.'' (A.E.)

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