São Paulo - Fabiana Murer, de 34 anos, já gravou 16 de agosto de 2016 em sua mente. Neste dia, a partir das 9h30, no estádio João Havelange, começam as provas qualificatórias do salto com vara dos Jogos do Rio.
Será a terceira e última chance de conquistar uma medalha olímpica e dar a volta por cima depois das frustrações em Pequim-2008 e Londres-2012, quando não passou o sarrafo que separa medalhistas dos perdedores.
Líder do ranking mundial em 2014, com 4,80 m, já saltou 4,83 m em 2015 (melhor marca do ano em pista coberta). Credenciais para 2016.
"Ganhar uma medalha em uma olimpíada é muito difícil. Não é porque saltei bem em uma competição, que sou líder do ranking, que vou ganhar medalha na Olimpíada", afirmou Fabiana à "TV Folha", da Folha de S.Paulo, ontem.
"Estou me preparando para estar bem no dia da Olimpíada. Pode acontecer algo, como nas duas últimas. Mas me preparo para chegar na minha melhor forma."
Em 2008, Fabiana ficou em décimo lugar, depois que a organização dos Jogos perdeu uma das varas que ela utilizaria na final. O incidente atrapalhou sua concentração e ela não conseguiu ultrapassar a marca de 4,65 m.
Quatro anos mais tarde, uma das favoritas ao pódio em Londres, ela foi eliminada nas qualificatórias ao falhar na última tentativa de superar os 4,55 m. Desistiu do salto alegando forte vento contra e terminou em 14º.
Mais experiente (começou no salto com vara há 18 anos), Fabiana acredita que pode voltar a competir bem no mesmo estádio onde ganhou o ouro no Pan de 2007. "Se estiver bem fisicamente, vou controlar o aspecto emocional e saltar bem. Me sinto mais preparada para encarar as competições, lidar com pressão, com público. Estou mais tranquila", disse.
Antes dos Jogos Olímpicos, porém, Fabiana tem outros objetivos. Quer dar a volta por cima também no Pan de Toronto, no Canadá (foi prata em 2011), e no Mundial de Pequim, ambos em 2015.
Essa última competição marca seu reencontro com a China após oito anos. "Tem que superar. Na época fiquei chateada porque sentia que me tiraram a chance de brigar pela medalha. Mas passou. Estou indo superanimada para saltar alto".
Com dois títulos mundiais no currículo - 2010, em pista coberta, e 2011, na descoberta -, Fabiana planeja quebrar seu próprio recorde em 2015.
"Quero saltar mais que o recorde sul-americano, mais que 4,85 m. É possível", diz, confiante de que pode voltar a saltar mais alto.

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