São Paulo - A festa foi grande, mas é hora de começar a trabalhar. O pontapé inicial do Mundial ocorrerá daqui a mais de cinco anos, mas 2014 está logo ali, se levarmos em conta os desafios que o Brasil tem pela frente, não apenas em construção e reforma de estádios, mas, principalmente, em infraestrutura. Transporte, comunicação, energia e hotelaria são alguns dos vários itens que precisarão de investimentos pesados de municípios, estados e do governo federal. E a maior parte dos recursos virá dos cofres públicos.
Praticamente todas as 12 cidades escolhidas precisarão de melhorias em seus aeroportos e estradas. O transporte público é um calcanhar-de-Aquiles comum. Há cidades com deficiências sérias na área de saneamento, como Salvador. Outras apresentam um trânsito caótico, caso de São Paulo. Todas, porém, garantem que não haverá problema sem solução até 2014, custe o que custar.
A conta, de fato, vai ser alta. Os primeiros cálculos sugerem que a Copa vai exigir investimentos de R$ 27 bilhões, R$ 23 bilhões dos quais a serem torrados em infraestrutura. Os R$ 4 bilhões restantes vão ser gastos na construção e reformas de estádios, que, ao contrário do que a CBF tem apregoado até como "ponto de honra", vão acabar recorrendo a recursos públicos, pois o plano de bancar obras das arenas totalmente com dinheiro da iniciativa privada parece ter ido por terra sob a desculpa da crise econômica mundial.
Em 2006, a Alemanha gastou 7,1 bilhões de euros (R$ 19,7 bilhões) com obras de infraestrutura e estádios. O Brasil, pelo o que mostram os primeiros cálculos, vai empregar bem mais que isso. Mesmo porque, as necessidades são bem maiores do que as dos anfitriões da última Copa.
A contrapartida, porém, pode ser bastante compensadora. O governo brasileiro acredita que os 500 mil turistas estrangeiros que virão ao Brasil na metade de 2014 deixarão por aqui R$ 3 bilhões. Há, também, geração de empregos (na Alemanha, foram 25 mil). Isso tudo sem contar o "legado", ou seja, o benefício permanente que a população terá com as obras de infraestrutura realizadas a reboque do Mundial.

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