Todo brasileiro adora encontrar um compatriota quando está viajando mundo afora. Ouvir palavras em português sempre é uma grande alegria. Quando se está sozinho ou em algum lugar remoto, como nas areias do deserto africano, esta satisfação aumenta ainda mais. Em nossa terceira participação no Dakar, em 1990, na cidade de Agades, no Níger, tivemos o prazer de encontrar um brasileiro ''perdido''. Após um longo e delicioso papo com o forasteiro, descobrimos que ele estava viajando pelo mundo e havia escolhido a cidade marroquina para vender o carro e arrumar dinheiro para seguir em frente na sua expedição solitária pela África.
Encontros esquisitos, no entanto, não têm local marcado nem hora certa. Fevereiro de 1992, Balneário Atami, Paraná. Depois do Dakar de 1991, arrumamos um tempo após a maratona de entrevistas para viajar no Carnaval. A intenção era descansar o corpo e a mente na casa de um grande amigo no litoral paranaense. Sem sol e com muita chuva, a região perdeu os encantos de um balneário e se tornou um alagado. O jeito foi deixar o banho de mar de lado e explorar o potencial da nossa F-1000 4x4.
Em uma das tardes chuvosas encontramos uma enorme área de terra lisa, ideal para acelerar, dar cavalos de pau, zerinhos... Mais do que lisa, estávamos sobre um charco. Logo nos primeiros metros, o carro afundou no barro e lá ficou. Estávamos atolados, longe de tudo, sem pás, sem placas de desatolamento, sem guincho e nem mesmo com uma corda. Não havia saída. No entanto, ao abrimos a porta para iniciar a caminhada atrás de socorro, avistamos um velho jipe com um guincho no pára-choque. Era o nosso anjo da guarda de plantão. Os ocupantes eram dois garotos de 14 anos que com muita destreza nos tiraram da lama.
Nossa história dá um pulo de 13 anos. Julho de 2005, Goiânia, Goiás: antes da largada do Rally dos Sertões, fui apresentado aos reforços que o pessoal da Promacchina (equipe que dá apoio ao nosso Mitsubishi L200 Evolution) levou para a prova. Após o aperto de mãos, um deles perguntou: ''Não está me reconhecendo? Fui eu que te salvei lá no atoleiro do Atame''. Depois desta coincidência, acabamos convidando o jovem aventureiro para ser o navegador do Pajero. Seu nome é Eduardo Bampi. É ele que sentará no banco do co-piloto do Pajero durante o Dakar 2006.
A equipe Petrobras Lubrax prepara sua 19 participação consecutiva no Dakar. Nesta coluna, vamos contar o que acontece nesta emocinante e perigosa competição no deserto africano. Ajude-nos a escrever o próximo artigo. Faça perguntas, envie sugestões e tire suas dúvidas no www.parisdakar.com.br.
Klever Kolberg, 43 anos, é piloto do Mitsubishi Pajero da Equipe Petrobras Lubrax

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