Mundo do futebol contado pelas camisas de clubes e seleções
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de março de 2009
Julio Cesar Lima<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Times badalados da Europa, seleções nacionais, o clube do coração ou até mesmo equipes obscuras dos mais remotos rincões do País ou do planeta. Cada colecionador de camisas de times de futebol tem seus critérios para montar o acervo pessoal. Mas, para todos eles, o que conta acima de tudo é o amor pelo esporte.
Na semana passada, um encontro que reuniu cerca de 30 colecionadores em uma churrascaria de Curitiba, mostrou o quanto esses fanáticos por futebol se dedicam na caça de alguns dos uniformes mais raros do planeta. A reunião superou em número de participantes um evento similar ocorrido em São Paulo. Entre as peças levadas ao encontro curitibano, destacavam-se uma camisa usada pelo médio-volante Zito na Copa do Mundo de 1962, além de outras relíquias da seleção brasileira e de clubes incluindo camisas históricas do Trio de Ferro da Capital e uma do Londrina, autografada pelo ex-atacante Marcos Severo.
O encontro serviu para mostrar perfis diferentes de colecionadores. Alguns têm o foco em apenas uma equipe, geralmente o clube de coração. Outros sentem mais atração por equipes desconhecidas de variados lugares. E sem contar os times europeus, que recebem tratamento especial de uma boa parte deles.
Deivid Briski, um dos organizadores do evento, participou das duas reuniões anteriores promovidas pelo grupo em Curitiba e gostou da troca de ideias (e de camisas) que marcou a confraternização. Meu foco principal são camisas do Coritiba, clube que eu torço, conta. Para o colecionador, a camisa é a história do seu clube, do ídolo, de um jogo, então aproveitamos através das camisas para estudar um pouco do time de futebol, os grandes jogadores, e tomamos gosto pela coisa.
Apesar disso, Briski faz uma excessão em seu acervo: a camisa que o Coxa usou rumo ao rebaixamento para a Série B do Brasileirão. Já tive ofertas para ter a camisa de 2005, mas não comprei, pois foi o ano em que o time foi para a Segunda Divisão. Mas tenho camisa do time de 1988, outra da década de 80 usada pelo Aladim e outra do Keirrison, usada contra o Criciúma, jogo em que ele marcou o gol da vitória, o Coritiba assumiu a liderança e veio a ser o campeão. Então é a camisa do jogo, do time e do craque. Essas não tenho como me desfazer, afirma.
Já para Ricardo Lokarski, o foco é ter camisas de times e seleções alternativas. Clubes que disputam a Série C ou que não participam dos principais campeonatos do Brasil e dos europeus que não são tão badalados, como Wolfsburg, Brescia e do Pirambu (SE), explica o colecionador, que começou a correr atrás de camisas de futebol há 13 anos.
Sempre gostei muito de futebol e meu interesse surgiu em 1996, quando comecei a trocar camisas boas do dia a dia por camisas de time. Depois fiquei um tempo sem comprar, até 2002, quando comprei a camisa que a Polônia usou na Copa do Mundo. A coleção é modesta (cerca de 70), mas foi assim que se iniciou, conta.
Para ampliar a coleção, Lokarski reclama dos valores de algumas camisas. A badalação trouxe uma coisa ruim para quem gosta, que é a exploração, pois gerou um mercado e muitos se aproveitam disso para tirar valores muito altos, irreais, de pessoas que gostam. É um hobby para a gente comprar uma camisa, que para nós tem mais um valor sentimental, diz. Atualmente, existem camisas raras, principalmente de seleções brasileira e estrangeiras que custam de R$ 5 a 10 mil.


