Craque do Brasil com três Copas do Mundo no currículo, Zico diz que se sente satisfeito com o nível técnico do Mundial da França, que, em sua opinião, está resgatando a essência do futebol. ‘‘Os times têm jogando pensando em fazer gols, e não em não tomá-los’’, analisou o coordenador-técnico da seleção brasileira. ‘‘Mesmo a marcação agressiva é feita nesse sentido, com os times retomando a bola e procurando, em dois ou três toques, chegar à cara do gol’’, afirmou.
‘‘Em 94 foi bem diferente’’, comparou. ‘‘Não sei se pelo calor, pelos jogos no horário do meio-dia, mas a maior preocupação era não levar gol’’, analisou. ‘‘Talvez seja porque os times se prepararam melhor para as adaptações nas regras, como a da bola atrasada para o goleiro e a de não haver impedimento na mesma linha, ou porque agora são 32 times e não há mais aquela classificação de terceiros colocados de grupos que permitia acomodações.’
Um dos destaques individuais da Copa, de acordo com o coordenador, é o inglês Owen. ‘‘Talvez ele tenha dificuldade para jogar diante de uma retranca, porque seu drible é largo; tem uma semelhança com o Juninho no jogo, mas é mais voltado para o gol, enquanto o Juninho é mais voltado para o passe para o gol.’’
Se o nível dos jogos tem agradado a Zico, o das arbitragens, nem tanto. Para ele, o árbitro de Argentina x Inglaterra esteve péssimo. ‘‘Não diria que foi roubo, considero mais que houve erro, mas ele mudou o panorama do jogo’’, disse. ‘‘Marcou um pênalti inexistente para cada lado, não deu um que houve para a Inglaterra, anulou mal um gol dos ingleses porque o jogador não entrou no lance para acertar o goleiro.’’
No lance da expulsão, acha que o juiz acertou, mas ressalvou. ‘‘Quando você sente que o árbitro está a fim de prejudicar, não se pode dar chance; o futebol, ninguém pune’’, observou. Mesmo criticando a conduta do árbitro de Argentina x Inglaterra, Zico gostou da classificação dos rivais sul-americanos, que mantém a possibilidade de um confronto contra o Brasil nas semifinais. ‘‘Eu preferiria enfrentar a Argentina, sempre gostei de jogar contra eles, é um tipo de jogo que sempre me motivou.’’
Ele garantiu que deixa a seleção após a Copa, qualquer que seja o resultado. ‘‘No dia 12, termina a minha participação; tenho contrato com os japoneses até dezembro e volto para o Japão.’’

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