Mundial resgata a essência do futebol
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de julho de 1998
Cláudio Arreguy Agência Estado 
Craque do Brasil com três Copas do Mundo no currículo, Zico diz que se sente satisfeito com o nível técnico do Mundial da França, que, em sua opinião, está resgatando a essência do futebol. Os times têm jogando pensando em fazer gols, e não em não tomá-los, analisou o coordenador-técnico da seleção brasileira. Mesmo a marcação agressiva é feita nesse sentido, com os times retomando a bola e procurando, em dois ou três toques, chegar à cara do gol, afirmou.
Em 94 foi bem diferente, comparou. Não sei se pelo calor, pelos jogos no horário do meio-dia, mas a maior preocupação era não levar gol, analisou. Talvez seja porque os times se prepararam melhor para as adaptações nas regras, como a da bola atrasada para o goleiro e a de não haver impedimento na mesma linha, ou porque agora são 32 times e não há mais aquela classificação de terceiros colocados de grupos que permitia acomodações.
Um dos destaques individuais da Copa, de acordo com o coordenador, é o inglês Owen. Talvez ele tenha dificuldade para jogar diante de uma retranca, porque seu drible é largo; tem uma semelhança com o Juninho no jogo, mas é mais voltado para o gol, enquanto o Juninho é mais voltado para o passe para o gol.
Se o nível dos jogos tem agradado a Zico, o das arbitragens, nem tanto. Para ele, o árbitro de Argentina x Inglaterra esteve péssimo. Não diria que foi roubo, considero mais que houve erro, mas ele mudou o panorama do jogo, disse. Marcou um pênalti inexistente para cada lado, não deu um que houve para a Inglaterra, anulou mal um gol dos ingleses porque o jogador não entrou no lance para acertar o goleiro.
No lance da expulsão, acha que o juiz acertou, mas ressalvou. Quando você sente que o árbitro está a fim de prejudicar, não se pode dar chance; o futebol, ninguém pune, observou. Mesmo criticando a conduta do árbitro de Argentina x Inglaterra, Zico gostou da classificação dos rivais sul-americanos, que mantém a possibilidade de um confronto contra o Brasil nas semifinais. Eu preferiria enfrentar a Argentina, sempre gostei de jogar contra eles, é um tipo de jogo que sempre me motivou.
Ele garantiu que deixa a seleção após a Copa, qualquer que seja o resultado. No dia 12, termina a minha participação; tenho contrato com os japoneses até dezembro e volto para o Japão.


