Mundial de clubes preocupa jogadores
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terça-feira, 08 de junho de 1999
Por Dinoel Marcos de Abreu 
São Paulo, 09 (AE) - A confirmação do 1º Mundial Interclubes, que será realizado de 4 a 15 de janeiro no Brasil, começa a virar um pesadelo para os jogadores do Palmeiras. Com a possibilidade de o Alviverde ser o representante do futebol brasileiro, caso vença a Taça Libertadores, os atletas do Parque Antártica poderão perder parte das férias no fim do ano, como ocorreu nas duas últimas temporadas.
O volante César Sampaio, capitão do time, comemorou a indicação da Fifa para que o País seja a sede do Mundial, mas não escondeu sua preocupação com o calendário do futebol brasileiro. "Acho que será uma das competições mais importantes na temporada e, se o Palmeiras estiver nela, certamente vai jogar no bagaço", prevê Sampaio. "Começamos o ano com maratona
teremos mais competições no segundo semestre e, possivelmente, iniciaremos o próximo ano sem tempo para descansar ou fazer a pré-temporada." Paulo Nunes também prevê problemas em janeiro. O atacante disse que os direitos dos atletas nunca são analisados, por isso, ele imagina que, se o Palmeiras tiver de disputar o Mundial, o elenco não terá férias regulares. "É lamentável que o velho problema possa ocorrer novamente", reagiu Paulo Nunes. "Como sempre, deixam para ver a situação na hora da competição." Por causa do acúmulo de jogos e o excesso de competições, há dois anos que a diretoria do Palmeiras não consegue planejar adequadamente as férias dos jogadores.
No ano passado, por culpa da final do Campeonato Brasileiro que o Palmeiras disputou em dezembro de 97 contra o Vasco, o time do Alviverde teve as férias divididas em duas partes. Na primeira, em janeiro de 98, os jogadores tiveram 20 dias de férias por causa do início do Torneio Rio-São Paulo. Os outros 10 dias foram compensados na época da Copa do Mundo.
Neste ano, houve o mesmo tipo de problema. O Palmeiras disputou a final da Copa Mercosul contra o Cruzeiro, dia 29 de dezembro de 98. Na segunda quinzena de janeiro deste ano, o Alviverde estreou no Torneio Rio-São Paulo. O Palmeiras teve, então, de disputar a competição com o time reserva. Mesmo assim, o técnico Luiz Felipe Scolari foi obrigado a interromper as férias de muitos jogadores. O goleiro Marcos, que na época era reserva, foi um dos jogadores que tiveram de voltar uma semana antes do fim das férias. Ele não teve tempo para treinar regularmente antes de começar a temporada.
MAIS UM TORNEIO ? - Nos outros grandes clubes paulistas, a reclamação é a mesma. O zagueiro Márcio Santos, do São Paulo, ficou indignado com a possibilidade de perder as férias do próximo ano. "A gente está pensando em se livrar do número excessivo de competições, e, agora, criam mais essa", lamentou. "Não quero passar o Natal e o réveillon concentrado no CT para disputar o Mundial."
Para o zagueiro Gamarra, do Corinthians, seus direitos trabalhistas são sagrados. Uma nova competição seria mais um motivo para o jogador paraguaio deixar o Brasil para atuar no futebol da Europa. Gamarra sempre criticou o extenso calendário de jogos do País.
No início deste ano, o zagueiro chegou até a desrespeitar as normas impostas pelos dirigentes do Corinthians em relação às férias dos atletas. Por causa da conquista do Brasileiro, em dezembro do ano passado, os alvinegros tiveram apenas 20 dias de férias. Gamarra, no entanto, descansou 30 dias e foi o último jogador a apresentar-se ao clube, em janeiro.
Até o lateral Índio, um dos mais jovens do elenco, está preocupado com a falta de tempo para relaxar. Após mais de um ano sem folgas, depois de ter participado da Taça São Paulo de Juniores e do Torneio Rio-São Paulo em seu período de férias, Índio sabe que um novo torneio poderá aumentar ainda mais o seu desgaste físico. Como é jovem e ainda sonha em permanecer no grupo titular da equipe, o lateral, contudo, não desanima. "Eu tenho de aproveitar todas as oportunidades que surgirem", disse Índio. (Colaboraram Anderson Couto e Arnaldo Ribeiro)


