São Paulo, 31 (AE) - O Mundial de Clubes começa, na quarta-feira, cercado de expectativas. Em jogo, estão interesses da Fifa, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Corinthians. Para a entidade internacional, que sonha em promover novas edições a cada dois anos, o torneio tem um caráter experimental. Para os dirigentes do futebol no País, a escolha do Brasil para sediar a Copa de 2006 depende do sucesso do Mundial e, para os corintianos, vencer a competição representa um grande passo para deixar de ser um time "doméstico".
No total, são oito participantes, de todos os continentes. "Uma disputa democrática", destaca o presidente da Fifa, Joseph Blatter. No Grupo A, com jogos no Morumbi, estão Corinthians, Real Madrid, Raja Casablanca (Marrocos) e Al Nassr (Arábia Saudita). No B, Vasco, Manchester United, Necaxa (México) e South Melbourne (Austrália) encontram-se no Maracanã. Todos jogam entre si, dentro da própria chave. Os campeões, de cada uma, fazem a final, dia 14, no Rio.
Para os dirigentes do Comitê Organizador Local (COL), formado exclusivamente por brasileiros, a Fifa não deu uma atenção especial ao Mundial. Deu, no entanto, US$ 6,5 milhões para a organização do evento. Os dois estádios passaram por reformas. No Morumbi, por exemplo, foram instaladas 35 mil cadeiras nas arquibancadas e construídos três novos vestiários. Ambos ganharam modernos centros e tribunas para a imprensa, que serão desmontados após o fim da competição.
Segundo o presidente do COL, Júlio Mariz, a Fifa esteve mais preocupada, no último semestre do ano passado, com o Mundial Sub-17, realizado, em novembro, na Nova Zelândia, e com o sorteio das chaves para as eliminatórias da Copa de 2002. "O Blatter, porém, sabe da importância do torneio para o futebol no mundo", garantiu Mariz.
A intenção da Fifa é aumentar o número de participantes para as próximas edições. Se possível, reunir até 32 clubes, igual a uma copa de seleções. Os prêmios oferecidos são atraentes: US$ 28 milhões no total, sendo US$ 6 milhões para o campeão, US$ 5 milhões para o vice, US$ 4 milhões para o terceiro colocado e US$ 3 milhões para o quarto. Quem disputar apenas as três partidas da fase inicial, mesmo que perca todas, receberá US$ 2 5 milhões.
Para os organizadores brasileiros, a expectativa é reunir 40 mil torcedores em média por jogo. Os ingressos, que variam de R$ 10 a R$ 30, começaram a ser vendidos na quinta-feira, no Morumbi
Pacaembu, Parque São Jorge, Maracanã, São Januário e em outros postos no Rio. Pela Internet, os bilhetes podem se adquiridos pelo endereço www.ingressofacil.com.br. A capacidade do Morumbi será para 59 mil pessoas e a do Maracanã, para 75 mil.
O sucesso na organização do Mundial pode reforçar a candidatura do País para a Copa de 2006. Um teste para a CBF. No dia 15, seis representantes do Comitê Executivo da Fifa, comandados pelo norte-americano Alan Rotenberg, vão fazer inspeções em estádios, hotéis, hospitais, aeroportos, estações de metrô e rodovias no Brasil.
"Temos uma vantagem em relação aos outros candidatos; somos os únicos a poder organizar um Mundial a cerca de seis meses da escolha final", destaca Ricardo Teixeira, o presidente da entidade. "Um bom desempenho, agora, terá reflexos no futuro."
O Corinthians, um dos representantes do País no torneio, também aposta num possível sucesso internacional, ainda inédito. "Estamos motivados", revelou o técnico Oswaldo de Oliveira. "É a competição mais importante da história do clube."

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