Mundial 98 vem recheado de novidades
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de janeiro de 1998
José Henrique Mariant Agência Folha 
Mudanças no regulamento, profundas alterações na estrutura da categoria, novos nomes, novos patrocinadores e até mesmo uma nova equipe. A F-1 muda muito para 98. Mas o suficiente para modificar a atual relação de forças? Nem mesmo o atual campeão mundial, Jacques Villeneuve, acredita nisso. Recentemente ele reafirmou que sua disputa pessoal com Michael Schumacher será restabelecida a partir de 8 de março, data do GP da Austrália, prova de abertura da próxima temporada. A disputa do campeonato vai continuar apenas entre nós dois, declarou o piloto canadense. Pragmático, Villeneuve concorda que não será assim tão fácil derrubar a hegemonia cultivada pela Williams nos últimos seis anos nem reverter o renascimento ferrarista.
Os mais otimistas, porém, garantem que os dois melhores times da F-1 deverão sentir pelo menos um golpe: a adoção dos pneus Bridgestone pela McLaren. Nitidamente superior ao da concorrente Goodyear, o produto japonês terá que passar incólume pelo novo regulamento da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), que, inclusive, provocou o inesperado anúncio da retirada da empresa norte-americana em 99. Os pneus do próximo ano terão sulcos que forçarão as empresas a utilizar compostos duros, característica que diminuirá sensivelmente a aderência dos carros. E, para completar, a entidade máxima do automobilismo ainda decretou uma diminuição na largura dos monopostos, fator que prejudica a aerodinâmica.
Teoricamente, as mudanças tornarão os carros mais instáveis, obrigando os pilotos a diminuir o ritmo. Mas nada indica que isso seja problema para a gigantesca força de investimento em pesquisa e desenvolvimento aglutinada nos times grandes da F-1. Williams e Ferrari, assim como McLaren e também a Benetton, têm dinheiro e tecnologia suficientes para se adaptarem às mudanças de forma mais eficiente e rápida que o resto da categoria.
Dessa forma, já nasce pífia a terceira revolução técnica da década, a exemplo das outras duas - a primeira, ao final de 93, aboliu a ajuda eletrônica aos pilotos; a segunda, ao final de 94, pretendeu tornar os carros menos inseguros.
Mas, se no atacado a coisa não deve mudar, no varejo, como sempre, é que podem surgir surpresas. Williams e Benetton, por exemplo, não terão mais o apoio da Renault, que se despediu da categoria. Deixam de ser tranquilos patrocinados para se tornarem clientes cobrando desempenho da Mecachrome, antiga preparadora da fábrica francesa que assumiu a vitoriosa família RS. Frank Willliams ainda terá que administrar a convivência entre seus dois pilotos. Heinz-Harald Frentzen, após uma série de bobagens em 97, quer dar trabalho a Villeneuve em 98.
O problema é que o canadense já tem compromisso para 99 na equipe montada por seu empresário Craig Pollock sob a estrutura da Tyrrell. E não demorará muito para se queixar de favorecimento caso Frentzen comece a superá-lo.
A Ferrari, que usou e abusou de dispositivos suspeitos em 97, enfrentará uma fiscalização mais rigorosa em 98, já adiantou a FIA. E ainda não foi dimensionado o tamanho do estrago da manobra de Schumacher no último GP da temporada. A batida forçada com Villeneuve arranhou seriamente a imagem do alemão. Mais uma vez, a F-1 dependerá dos detalhes. Equilíbrio mesmo continua sendo uma utopia.


