Multidão recebe Ronaldinho na Gávea
Rio - Parecia final de campeonato ou comemoração de título. Ônibus circulando pelo centro da cidade cheio de flamenguistas em direção à Gávea, trânsito complicado ao redor da sede do clube e muitas camisas do Flamengo nas ruas. Tamanho frenesi era apenas pela apresentação de um jogador. No entanto, não era qualquer jogador. Tratava-se da chegada de um craque: Ronaldinho Gaúcho, pentacampeão mundial pela seleção e duas vezes eleito o melhor atleta do planeta, em 2004 e 2005.
Em meio a tanta alegria, um incidente assustou a direção do Flamengo no início da tarde. Uma multidão forçou a entrada e arrebentou um dos portões de acesso à Gávea. Ninguém se feriu e a festa prosseguiu com direito à samba, pagode, rápida queima de fogos e muita animação. Segundo estimativas da Polícia Militar, cerca de 20 mil torcedores foram à festa.
Por volta das 17 horas, aos gritos de ''Ronaldinho vem aí e o bicho vai pegar'', a estrela do espetáculo subiu no palco instalado na arquibancada e teve de dividir espaço com vários penetras, entre eles membros de facções organizadas que têm trânsito livre no clube. Acenou para os torcedores, fez um rápido pronunciamento e deixou o local em apenas doze minutos.
''Obrigado pelo carinho. Estamos juntos nação rubro-negra. Agora eu sou Mengão'', afirmou o craque, ao lado do atacante Vágner Love, atualmente no futebol russo, e da presidente do clube, Patrícia Amorim, que teve seu nome entoado pelos rubro-negros.
Nesta quarta, Ronaldinho e a torcida inverteram os papéis. Da arquibancada da Gávea, o atleta apareceu para ser saudado pelos rubro-negros, posicionados no habitat natural do jogador: o gramado. Ao olhar para baixo e ver a multidão ''transformar'' o campo verdinho num mar vermelho e preto, o jogador pôde notar que a única coisa inalterada ali era a devoção dos rubro-negros a ele, a quem já começam a chamar de Ronaldinho Carioca.
Cultuado como a salvação de todos os problemas do futebol rubro-negro, Ronaldinho sentiu o que representa ser um ícone num clube de massa. Se o carinho da torcida é imenso no primeiro contato, a cobrança por bons resultados pode ser do mesmo tamanho num futuro próximo. Para evitá-la, só há um remédio: vencer.





