Rio - Em seu trajeto de 49 quilômetros pelas ruas do Rio, a Chama Olímpica recebeu a hospitalidade do público brasileiro e, excetuando-se alguns erros da organização, o evento foi um sucesso internacional. Em sua histórica e inédita passagem pelo País, a tocha visitou pontos turísticos, andou de skate, sambou e apagou por três vezes.
A presença maciça do público provocou um atraso de cerca de uma hora no final do percurso. Às 18h02, quando o craque Ronaldo, do Real Madrid, cruzou a passarela do Aterro do Flamengo, para acender a pira, a tocha já havia passado pelas mãos de 123 condutores, que se esforçaram para não errar com o artefato nas mãos.
Pelé iniciou a corrida, às 9h12, após uma cerimônia no Maracanã, onde estiveram presentes autoridades e 2004 crianças vestidas de branco, que formaram os anéis olímpicos no gramado.
Na igreja da Candelária, no Centro, a tocha passou das mãos do músico Marcelo Yuka, que ficou paraplégico em 2000, quando tentou evitar um assalto, para a fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, de 68 anos. O músico enfrentou problemas para conduzir o artefato e precisou ir de carro particular para o trajeto, porque sua cadeira de rodas não entrou no ônibus do comboio.
Durante todo o trajeto, a Tocha foi acompanhada por populares que queriam ver seus ídolos pelas ruas ou tocar o artefato. O astro do basquete Oscar foi um dos poucos que burlou a segurança e deixou que as pessoas tocassem no objeto acesso.
A Tocha também passou por momentos inusitados. Nas mãos do ex-nadador Ricardo Prado, do nadador Gustavo Borges e da apresentadora de TV Xuxa a chama apagou e precisou ser reincandescida com a lanterna sobressalente que acompanha o cortejo.
A Tocha foi alvo da irreverência típica do brasileiro ao ser conduzida pelo gari Renato Lourenço, conhecido por varrer o Sambódromo em ritmo de samba durante o carnaval, que apresentou a dança ao artefato. Já o campeão mundial Bob Burnquist conduziu e fez acrobacias com seu skate segurando a relíquia.
Apesar de o vôlei ter sido a modalidade com mais representantes na corrida de revezamento, os craques do futebol foram os de maiores destaques. Em frente ao campo do Fluminense, nas Laranjeiras, o público tomou conta das ruas para ver o artilheiro Romário.
A chegada de Ronaldo ao Aterro do Flamengo simbolizou a apoteose da corrida de revezamento. O craque recebeu a Tocha do coordenador-técnico da seleção, Zagallo, e acendeu a pira, terminando a corrida. A Chama foi retirada do palco pela ginasta Daiane dos Santos, que incandesceu o último artefato e se retirou, simbolizando a saída da Chama do Brasil para a sua viagem rumo à Cidade do México.

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