Eles são atletas, mas buscam o melhor desempenho com a mente. E para disputar uma partida de xadrez do nível que a equipe do Clube Londrinense Red Wolf está acostumada, é preciso muito mais do que treinamento. Os jogadores têm que estudar muito, ler e aprender jogadas e estratégias cada vez mais avançadas.
Tal dedicação vem rendendo bons resultados ao time, que este ano, pela quarta vez consecutiva foi campeão dos Jogos da Juventude do Paraná no masculino. Já as meninas ficaram em terceiro lugar.
Antes disso, em junho, as gêmeas Catarina e Beatriz Braga Silveira já haviam sido campeãs na categoria 'convencional' dos Jogos Escolares do Paraná.
A equipe também se destaca fora do estado e até do país. No ano passado, eles foram campeões do Campeonato Mercosul de Xadrez. Já em 2010, um dos principais destaques do time, Lucas Henrique da Silva, foi campeão brasileiro. Aos 18 anos, o jovem joga xadrez desde os nove e está na equipe desde o seu início, em 2006. Agora ele espera poder continuar com o esporte em um nível profissional. "Não sei como vai ser, mas independente de qualquer coisa nunca vou parar de jogar xadrez", garante.
Apesar dos resultados, o treinador da equipe, Tiago de Almeida, acredita que o esporte é pouco valorizado na cidade. O único patrocínio é o da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), repassado pelo Colégio Estadual Padre Wistremundo Perez Garcia, através do Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe). Segundo Almeida, até o ano passado, a verba anual era de R$ 40 mil, valor que ele já considerado baixo para custear a preparação e, principalmente, viagens para competições. "De 2011 pra 2012 ainda foi reduzido para R$ 38 mil", destaca o técnico.
Questionado sobre o assunto, o presidente da FEL, Claudemir Vilalta, disse que o clube de xadrez só entregou a documentação necessária para renovar o contrato na metade do ano. "Não poderíamos manter a mesma verba de um ano para um período de seis meses", declarou o dirigente.
Mas, ele também destacou que uma sugestão de edital está sendo formulada e que o documento prevê um aumento de recursos para as equipes que disputam os Jogos da Juventude. "Vamos deixar um edital previamente elaborado para que diretoria da Fundação, que for definida no ano que vem, decida sobre isso, mas ainda não temos como falar de quanto seria esse aumento".
'Paitrocínio'
Enquanto isso, a equipe se vira como pode. Muitos pais de jogadores colaboram com custos de alimentação e viagem. Um deles é Carlos Okawati, pai do atleta Gabriel Akira Okawati. Ele ressalta que o objetivo de formar jogadores de xadrez não é apenas esportivo, mas educacional, promovendo o desenvolvimento intelectual e humano dos alunos. "Aqui são todos de origem humilde, mas você não vê ninguém se envolvendo com drogas ou criminalidade, por exemplo. Nem por isso são "nerds", como alguns pensam. Os mesmos hábitos que eles desenvolvem no jogo, como estratégia, concentração, disciplina, também têm na vida", afirma Okawati.
Por isso, junto com outros pais e adeptos do xadrez, Okawati pretende levar à nova administração de Londrina, no ano que vem, uma sugestão de projeto de lei, para implantar o esporte na rede municipal de ensino da cidade. A ideia, segundo ele, é que o xadrez seja ensinado por pessoas com mais conhecimento. "As tentativas de se implantar o xadrez nas escolas fracassaram porque queriam colocar o professor de educação física ou de matemática para ensinar. Mas xadrez não é apenas esporte, ou pura matemática", encerra.

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