Cianorte - Os Jogos da Juventude do Paraná 2008 (Jojup’s), que terminaram ontem à tarde em Cianorte e agitaram a cidade nos últimos 10 dias - com a participação de 7 mil atletas de 116 municípios -, foram uma mostra do quanto uma competição como essa pode revelar talentos para o esporte olímpico brasileiro.
Um deles é o velocista Diego Lira da Silva, 17 anos, que faturou quatro medalhas de ouro para o atletismo masculino de Londrina e ajudou a equipe a ser mais uma vez campeã dos Jogos - pelo quinto ano consecutivo. O feminino também vem dominando os Jojup’s e é campeão há seis anos. Mas mais do que as quatro medalhas douradas - nos 100m e 400m e nos revezamentos 4 x 100m e 4 x 400m -, o que mais impressiona em Diego é sua história de vida. Para um dia virar um campeão, o garoto teve que superar obstáculos que foram surgindo ao longo da vida.
"Por tudo o que passou ele é um vencedor", elogia o técnico e coordenador da equipe de Londrina, Eugênio Zaninelli. Diego nasceu em Garanhus (PE), terra do presidente Lula, e para fugir da fome seus pais vieram "tentar a vida em São Paulo, mas acabou não dando certo", conforme relatou. "Meu pai trabalhava de guarda e a mãe de faxineira. Mas chegou uma época em que nenhum dos dois tinha mais trabalho e trouxeram a gente (Diego e seus cinco irmãos) para Londrina, onde uma tia acolheu a gente numa casa no Jardim Pindorama (zona leste), onde me criei", relatou.
Mesmo depois da ida para Londrina - ele tinha 3 anos na época -, os sofrimentos não cessaram, pois sua mãe não arrumava emprego e quem mantinha a casa e as crianças era a tia - a essas alturas os pais já haviam se separado e o pai voltou para Pernambuco, levando consigo os três irmãos mais velhos, que eram de outro casamento.
"Passamos dois anos de dificuldade e humilhação, mas a mãe nunca deixou de motivar a gente a estudar para sermos uma grande pessoa na vida", comentou Diego. Por meio da escola é que o campeão descobriu o esporte. Aluno do Colégio Vicente Rijo, ele passou em testes feitos por professores do Projeto Futuro (desenvolvido em parceria com a prefeitura) e começou a treinar aos 13 anos. Porém, no ano seguinte veio novo baque em sua vida. A mãe morreu (aos 40 anos) e Diego e seus dois irmãos ficaram "órfãos", sendo obrigados a voltar a morar com o pai em Pernambuco.
"Acabou não dando certo e eu decidi voltar para Londrina com 14 anos para continuar treinando. Nessa época vivi um tempo na casa dos outros e de uns anos para cá estou morando na república dos atletas", relatou Diego, frisando que tudo o que conseguiu na vida foi "por Deus": "Ele é que me deu forças para eu continuar até aqui".

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