Multicampeão nas pistas, Ingo agora se dedica aos ralis
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segunda-feira, 17 de maio de 2010
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
Ele é consagrado nas pistas da principal categoria do automobilismo brasileiro. Foi campeão da Stock Car por 12 temporadas durante os 30 anos dedicados à carreira de piloto. Quando parou de correr em 2008, Ingo Hoffman não se contentou em viver apenas dentro dos boxes, nos bastidores. Resolveu encampar novos projetos e atualmente participa de ralis de cross country nos intervalos da Stock, onde trabalha como chefe de equipe.
Hoffman sentiu pela primeira vez a emoção de correr em um rali em 2002, quando estreou na Mitsubishi Cup. Na sequência, disputou por três anos seguidos o Campeonato Brasileiro de Cross Country entre 2004 e 2006. O piloto conta que a adaptação na terra foi difícil, uma vez que ''a pista de asfalto e o acidentado trecho do rali não possuem nenhuma semelhança''.
O veterano explica que é mais fácil guiar no asfalto, pois o piloto sabe onde está andando. ''Você já sabe onde tem que acelerar ou frear e a marcha que vai usar. Tem que ser uma guiada muito precisa. No rali é o contrário. Você não sabe nada'', compara.
Mas as intempéries das estradas de terra servem mais como estímulo do que empecilho ao piloto. ''Em termos de prazer a terra é inquestionável. Existem mais variáveis positivas nesse sentido do que a pista'', opina, lembrando que, como os carros de rali mesmo com tração nas quatro rodas escorregam o tempo todo na terra, é importante que o piloto tenha mais destreza na hora de executar as manobras. ''É necessário provocar algumas derrapagens em determinadas situações para posicionar o carro na sequência de algumas curvas'', completa.
Desde o ano passado a nova paixão de Hoffman nas horas vagas tem sido a Mitsubishi Cup. Ele correu cinco das nove etapas em 2009, pois algumas coincidiram com as etapas da Stock Car. Na última etapa realizada no final de semana em Londrina, com sede na Fazenda Maragogipe, em Jaguapitã, ele quebrou na segunda volta e não terminou a corrida pela categoria mais rápida do rali, a L200 Triton RS.
Como o navegador é um detalhe característico dos ralis, Hoffman conta que no princípio sofreu para se adaptar. Antes ele andava sozinho dentro do carro, e ''o que acontecia de certo ou errado era decisão de apenas uma pessoa''. ''Quando passei a andar com o navegador não acreditava nas informações dele. Esperava para confirmar no visual, não escutava por falta de hábito. Agora já consigo entender tudo que o ele diz. Já tenho esse canal com o navegador aberto, o que é fundamental. Metade do trabalho é do navegador e outra do piloto um rali'', analisa.
Com 37 anos de tradição sobre uma pista de asfalto, Hoffman se orgulha de nunca ter capotado. Mas em menos de 10 anos de rali ele tem quatro capotamentos no currículo. ''A razão de vir andar num rali é justamente pelo prazer e para colocar a humildade em prática. Mas ao mesmo tempo sou um cara muito competitivo. Pela falta de tempo para treinar, não consigo andar com os mais rápidos. Por isso, muitas vezes aquilo que deveria ser prazeroso, acaba se tornando desgastante. Mas faz parte'', arremata.


