Três veteranas e uma jovem revelação. As quatro são exemplos para a nova geração de mulheres do esporte londrinense. No Dia Internacional da Mulher, a corredora Cleuza Maria Irineu, 40 anos, a ex-ginasta e atual técnica de ginástica rítmica Dayane Camillo, 28, a jogadora de futsal Jayne Maria Borim, 37, e a lutadora de taekwondo Natália Falavigna, de 20, dão a sua mensagem às jovens atletas e também a todas as mulheres que vêem no esporte um meio de se ganhar saúde, educação e qualidade de vida.
A fundista Cleuza, que continua a correr mesmo aos 40 e ainda sonha em disputar, no ano que vem, a prova da maratona nos Jogos Pan-Americanos do Rio, não tem nenhuma dúvida de que quase tudo o que conquistou foi por meio do esporte. ''Por ser oriunda de uma família pobre eu nunca teria condições de conhecer outros países se não fosse o atletismo. Hoje conheço o mundo inteiro graças às competições que participei'', diz ela, que em abril disputará mais uma Maratona de Londres, na qual já foi 6 colocada em 2000.
''Estou indo lá (Londres) não por causa dos valores da premiação, que caíram muito nos últimos anos, mas para buscar índice para o Pan'', afirma. Cleuza, que é formada em Jornalismo, diz que não se imagina em outra atividade que não no esporte. ''Pratico esporte desde os 13 anos. Primeiro joguei basquete até os 20. Depois comecei a correr e não parei mais. Hoje, mesmo havendo meninas mais novas, estou em 5º lugar no ranking do Circuito de Corridas de Rua da Caixa'', ressalta.
Sua melhor fase foi entre 1998 e 2000, quando foi bicampeã da Volta da Pampulha, em Belo Horizonte, duas vezes a brasileira mais bem colocada na São Silvestre e campeã da Meia-Maratona de Buenos Aires. Em 2003 sofreu uma lesão no joelho que a deixou um ano e meio longe das pistas. Há um ano ela retornou às competições e promete ainda ''brigar'' com as melhores do País.
A pivô Jayne, 37 anos, do time da Unopar, é atleta desde os 15 (começou no handebol) e já fez história no futsal feminino do Paraná e do Brasil. Ganhou 12 vezes a Taça Paraná e conquistou títulos por onde passou. O mais importante foi o Sul-Americano com a seleção brasileira, no ano passado.
Hoje, ela já não tem mais o mesmo vigor físico de antigamente, mas não pensa em parar tão cedo. ''Pretendo ir parando aos poucos para não me tirarem de uma hora para outra essa paixão que tenho por jogar'', diz Jayne, que desde 2001 desempenha também a função de treinadora. Ela comanda as equipes de base da Unopar, com as quais já foi campeã brasileira Sub-15, Sub-17 e Sub-20. O esporte, segundo ela, a fez crescer ''principalmente como pessoa''. ''Vejo a atividade como vital para a formação do ser humano e como meio de inclusão social''.
A tricampeã pan-americana de ginástica rítmica Dayane Camillo, 28, é outro exemplo de obstinação e persistência. Praticante de GR desde os seis anos, ela chegou às finais em duas Olimpíadas (Sydney-2000 e Atenas-2004) e não teve coragem de abandonar a modalidade depois de 21 anos ''vivendo da GR'' após se aposentar no ano passado virou técnica da Unopar. ''O esporte me fez ser essa pessoa batalhadora e guerreira que sou. Me ensinou a ter metas, a enfrentar sacrifícios e a dar valor às coisas. Quem não passa dificuldade não sabe dar valor ao que tem'', frisou.


Novos ídolos para o universo feminino

Para a campeã mundial de taekwondo, Natália Falavigna, 20 anos, o esporte permite igualdade de oportunidades entre homem e mulher e a cada dia, segundo a lutadora, as mulheres vêm ocupando mais o seu espaço. ''O esporte é um bem para todos e a mulher vem aparecendo cada vez mais nas competições e na mídia. Prova disso é que na Olimpíada de Atenas éramos 122 mulheres contra 124 homens na delegação brasileira'', contou.

Para Natália, a maior importância de ver as mulheres conquistando resultados expressivos para o Brasil é que com isso se gera ''novos ídolos'' para o universo feminino. ''A mulher só tem vantagens em praticar esporte, pois ele contribui para a saúde e a beleza dela ajuda na educação e ensina as pessoas a terem determinação na vida, respeito mútuo, metas e firmeza de caráter. Comigo foi assim'', testemunhou.

Na próxima segunda-feira, Natália viaja para a Europa onde irá disputar, com outros sete integrantes da seleção brasileira, algumas etapas do Circuito Europeu de taekwondo na Holanda e na Bélgica. (J.K.)

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