Ao invés de batalha, rivalidade e cara feia. O clima ontem foi de pura festa no 1º Campeonato Feminino de Sumô realizado no Paraná. O evento, que ocorreu na Academia Kaiko, área central de Londrina, teve em sua maioria atletas da cidade, mas também recebeu convidadas de diferentes cidades de São Paulo e também uma de Porto Alegre.
  No total, entre gordinhas e magrinhas, altas e baixinhas, adolescentes e senhoras, o campeonato teve a participação de aproximadamente 50 atletas, que levavam ao delírio os ‘‘torcedores’’ a cada queda que ocorria no dohiô (a arena de luta).
  Os tombos, muitos deles fora do dohiô, davam um susto nos pais e treinadores, principalmente quando uma caía sobre a outra. ‘‘Olhando assim é um negócio meio bruto para mulher. Gosto de esporte, mas pratico handebol’’, opinou a estudante Jessika Ariane Pariz.
  A operadora de caixa Luzinéia Marques dos Santos, aluna de tai chi chuan da Academia Kaiko, que foi assistir ao espetáculo por achar ‘‘interessante’’, deu uma opinião diferente: ‘‘Eu não teria medo de lutar, não acho tão violento. Mas prefiro ficar só com o tai chi pelos benefícios que ele traz para o corpo e a mente’’.
  Outra aluna de tai chi, a jornalista Célia Musilli, foi assistir às lutas e resumiu os combates como ‘‘algo que impressiona’’, devido à intensidade com que as atletas ‘‘se pegam’’. A platéia tinha públicos diversos – de curiosos e apreciadores de outras artes marciais, a familiares e membros da comunidade japonesa local. Entre as figuras ilustres estava o ex-secretário de cultura do município, Bernardo Pellegrini, que foi prestigiar as lutas da filha Isadora, iniciante no sumô.
  Dos familiares, um dos que ficava ‘‘com o coração na mão’’ era Jair Tonon, pai de Débora, 17 anos, que treina há um ano e meio. ‘‘Morro de medo quando qualquer uma delas cai de costas do dohiô. É muito alto. Mesmo assim, acho melhor ela lutar sumô que outra coisa, porque pelo menos é uma arte marcial onde não se precisa golpear a adversária’’, comparou.
  Entre os pontos positivos, Tonon destacou que desde que começou a praticar a arte marcial, Débora se ‘‘enturmou mais’’. ‘‘Ela era tímida e antes ficava muito em casa. Qualquer atividade física é melhor para o adolescente do que ficar parado’’, comentou.
  Também assistindo da ‘‘arquibancada’’, a médica Mailin Bragatto Custódio e seu marido Luiz Antônio, pais da bela Louise Custódio, 17, não demonstravam tanto receio das pancadas. ‘‘Acho legal. Nunca achei estranho ela lutar sumô. Se gosta, que fique à vontade, porque esporte é bom pra saúde’’, aprovou a mãe.
  Louise pratica sumô há oito meses e já foi terceira colocada em um Campeonato Brasileiro, em São Paulo. De acordo com a mãe, que também é adepta do tai chi, o sumô é uma atividade que ajuda a pessoa a tomar decisões na vida ‘‘e a não desistir nunca’’. ‘‘Pelo menos no dohiô é assim’’, diz ela.
  A filha Louise, que em nada se parece com uma lutadora de sumô, devido ao corpinho bem malhado, conta que sempre se identificou com a cultura japonesa e acabou entrando na academia para aprender ninjutsu (a arte milenar dos ninjas). ‘‘O treinador me convidou para fazer sumô e hoje faço os dois, além de arquearia (arco e flecha). Meus pais sempre me apoiaram e nunca disseram que o sumô seria coisa para homem’’, relatou.
  Para manter a forma física, ela disse que só pratica artes marciais. ‘‘Isso aqui cansa que você não faz idéia. A gente chega a passar três horas treinando. É muito mais que ficar fazendo uma academia’’, garantiu.

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