Mulheres farão estréia nos 3 mil com obstáculos
São Paulo - No Pan do Rio, as mulheres do atletismo vão passar por mais um obstáculo em sua trajetória no esporte. Literalmente. Depois de 14 edições, os Jogos terão, pela primeira vez, a disputa feminina dos 3 mil metros com obstáculos - assim como na Olimpíada de Pequim, ano que vem. Uma prova que faz parte do mundo masculino desde o fim do século 19.
E o Brasil tem chance de faturar a primeira medalha de ouro. As participantes serão definidas no Troféu Brasil - que termina hoje -, mas a paulista Zenaide Vieira, de 21 anos, está praticamente assegurada - é a atual recordista sul-americana, com o tempo de 9min46s52. A carioca Michelle Barreto, de 28 anos, e a gaúcha Sabine Heitling, de 19, brigam pela outra vaga.
Por que a demora na inclusão da prova entre as mulheres? Clodoaldo Lopes do Carmo, ex-atleta olímpico da distância e hoje técnico de Zenaide e Michelle, explica. ''Havia preconceito, quase um mito, de que as mulheres eram mais frágeis e teriam dificuldades pela bacia mais larga e centro de gravidade mais baixo. Isso aconteceu também no salto triplo.''
A suposta fragilidade feminina é realmente colocada à prova. O percurso é feito de sucessivas acelerações e saltos. Além de passar pelo obstáculo de madeira por mais de 30 vezes, as atletas encaram um fosso com água. ''Sem contar o estigma de lesões. Esta é uma prova que machuca muito, principalmente no tendão calcâneo (o tendão de Aquiles) e a panturrilha.''
A prova é oficial desde 1999. Durante o percurso, as atletas dão sete voltas e meia na pista e saltam por quatro obstáculos - todos de madeira, com altura de 76 cm. À frente do quarto obstáculo, há um fosso com água, com cerca de 3 metros de comprimento. O piso do tanque é inclinado, cuja profundidade máxima é de 70 centímetros. (Agência Estado)





