O futsal feminino ainda não possui tanta visibilidade e apoio como o masculino, principalmente no que diz respeito a patrocínio. A maioria das atletas não sobrevive apenas do futsal. A solução encontrada é conciliar o esporte ao trabalho. A falta de apoio é mais evidente em regiões como Norte e Nordeste, onde elas recebem pequenas ajudas de custo. Em alguns casos nem isso ocorre.
As equipes do Ninho de Águias-AM, Independente-PA e do Unex/Bancários-BA, que participam da Taça Brasil de Clubes de futsal feminino, em Londrina, representam bem as dificuldades enfrentadas no esporte. No caso da equipe manauara, as atletas recebem uma ajuda de custo de R$ 200 e o dinheiro do transporte. O diretor Joaquim Alves Fernandes explicou que a equipe não conta com patrocínio. ''Só vieram sete atletas por causa do preço das passagens de avião'', disse.
A pivô Tassia, 17 anos, reclama da falta de apoio do poder público estadual e municipal. Tassia começou a jogar futebol com 13 anos juntamente com seus irmãos. Ela, inclusive, foi uma das responsáveis pela criação da equipe feminina do Ninho de Águias. ''Decidimos criar a equipe feminina porque ela jogava com os meninos'', explicou Fernandes.
A ala-direita Sâmia, 17 anos, considerada a revelação da Taça Brasil de 2003, afirma ser difícil se dedicar somente ao futsal. Ela pretende cursar a faculdade de Direito. ''Quero continuar jogando, mas não dá para ficar sem trabalhar'', esclareceu.
O Independente até conseguiu trazer o elenco completo para Londrina. O problema é que tiveram que enfrentar 48 horas de ônibus. A goleira Cristiane, 25 anos, trabalha com a mãe vendendo salgadinhos, pois o salário de R$ 200, não é suficiente. Ao voltar ao Pará, ela decidirá se vai continuar jogando futsal. ''Nós não temos patrocínio'', lamentou a goleira que vem sofrendo com o frio. ''É muito difícil jogar com essa temperatura'', completou.
No caso do Unex, da Bahia, as atletas jogam por amor ao esporte. Elas não recebem qualquer ajuda de custo. O coordenador Marco Antônio de Souza explicou que o futsal feminino do Estado é amador. ''Tivemos que ir a programas de televisão para conseguir os recursos para a viagem de ônibus'', salientou.
Rodada A equipe do Londrina/Unopar/Grêmio volta a quadra hoje pela quarta rodada da Taça Brasil. A partir das 19 horas, o Londrina enfrenta o Popiolski-SC, no ginásio do Sesi. Na rodada de ontem, o Cascavel fez 2 a 1 no Independente e o Ninho de Águias ganhou de 8 a 5 do Clube Oásis-GO. Os outros jogos não haviam terminado até o fechamento desta edição.

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