Janaina Tupan Frare
De São Paulo
Especial para a Folha
As mulheres foram as grandes estrelas da noite do ‘Oscar’ esportivo. Elas levaram 24 dos 42 títulos de Melhor Atleta do Ano, na noite de terça-feira, durante a entrega do Prêmio Brasil Olímpico, em São Paulo.
Elas brilharam durante todo o ano no badminton, no basquete, no boliche, no ciclismo, na esgrima, no esqui aquático, na ginástica artística, na ginástica rítmica desportiva, no handebol, no hipismo, no karatê, no nado sincronizado, na patinação artística, no pentatlo moderno, nos saltos ornamentais, no squash, no tae kwon-do, no tiro, no tiro com arco, no triathlon e no vôlei de praia.
Além de ser a maioria entre os ‘melhores do ano’, o time feminino ainda levou mais um título. O pólo aquático feminino, medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg (Canadá), ficou com o título de Modalidade Revelação do Ano de 1999.
O iatista Lars Grael, hoje diretor de projetos do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto (Indesp), recebeu o troféu de Ética Esportiva. O troféu de Personalidade Olímpica do Ano foi para o senador Pedro Piva, que conseguiu aprovar na útima terça-feira, em primeira instância, a Lei Piva, que destina 2% de toda a arrecadação de loterias públicas para o COB, como forma de ajudar o esporte nacional. Agora, a lei deve ir para votação no plenário do Senado e, depois, para a Câmara dos Deputados.
O título de melhor atleta paraolímpico foi para Luís Silva, que conseguiu um feito inédito na história paraolímpica brasileira. Ele quebrou três vezes o recorde mundial de natação.
O título feminino de melhor atleta do ano ficou com Maurren Higa Maggi, que conseguiu estabelecer o novo recorde para o salto em distância, além de conquistar prata nos 100 metros rasos e ouro no salto em distância, no Pan de Winnipeg.
No masculino, o título ficou com Gustavo Kurten, que não pode estar presente, porque seu irmão Gulherme estava doente. Mas, através de uma carta, lida por seu técnico Larry Passos, Guga conseguiu emocionar todos os outros atletas. Na carta, Guga dizia que para ele era uma honra participar da festa dos melhores do esporte, mesmo ausente. ‘‘O esporte sempre foi a minha vida. Antes era lazer; hoje, profissão. Mas hoje a vitória é do meu irmão, que depois de 19 dias conseguiu deixar o hospital. Desejo que no próximo ano todos tenham muita saúde, porque só com saúde conseguiremos um bom desempenho’’, disse o tenista. No final da carta, Guga anotou: ‘‘Esse troféu é seu, mano. Você merece muito mais do que eu. A vitória é sua’’.
Cuattrin – Dos onze atletas que competem por equipes paranaenses indicados ao prêmio Brasil Olímpico, quatro receberam o título de ‘melhor’ na noite de terça-feira em São Paulo.
Sebastian Cuattrin, que acaba de assinar um contrato com o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, foi eleito o melhor canoísta do Brasil. No voleibol, o título ficou com o ex-patinho feio das quadras e hoje ídolo da nova geração, Gilberto de Godóy, o Giba. Na GRD, a graça e o charme deram o título para a londrinense Camila Ferezin. No ciclismo de estrada, a mineira Cláudia Carceroni, que corre pela equipe Caloi, foi a mais votada.
Sebastian Cuattrin, 26 anos, confirmou seu favoritismo ao vencer com 5.205 votos o gaúcho Cássio Petry, com 2.081 votos, e seu companheiro de equipe, Guto Campos, com 1.624. ‘‘Esse prêmio é para fechar o ano com chave de diamante’’, diz Cuattrin, lembrando os ótimos resultados conquistados pela equipe de canoagem durante todo o ano de 1999, inclusive as três vagas olímpicas garantidas por ele e por Guto Campos, no Mundial da Espanha.
Outra grande estrela da noite do ‘Oscar’ esportivo foi o londrinense Gilberto Godoy, 23 anos, que venceu com mais de mil votos de diferença. Ele somou 4.158 votos, contra 3.108 de Hélia de Souza, a Fofão, e 2.010, de Douglas Chiarotti. Segundo Giba, só a indicação já tinha sido considerada uma vitória. ‘‘Estava há mais de um mês fora de casa e a indicação me deu uma força muito grande’’, diz ele. Giba estava no Japão com a seleção masculina de voleibol, tentando a classificação olímpica. Mas, com o quinto lugar no Mundial, o sonho olímpico foi adiado. Os meninos de prata do Pan voltam a tentar a vaga para Sidney no Pré-Olímpico que será realizado no início de janeiro, em São Paulo.
Emoção da GRD – O resultado da GRD saiu depois de duas apresentações de graça, beleza, técnica e emoção das meninas de ouro no Pan-Americano. Resultado que só poderia sair para o Paraná. Camila Ferezin, 22 anos, venceu por 257 pontos de diferença a também londrinense, Daiane Camilo da Silva, 22, com 2.732 votos. Em terceiro lugar ficou a brasiliense Flávia Faria, 17, que também treina em Londrina, com 1.926 votos.
No ciclismo, Cláudia Carceroni, que não pôde estar presente na festa porque está na correndo na França, venceu com 3.909 votos os outros dois integrantes da equipe da Caloi. O catarinense Márcio May somou 2.703 votos e a goiana Janildes Silva, 1.770. Cláudia é a única ciclista com vaga garantida para Sidney.
Os outros paranaenses que concorriam ao prêmio ficaram com o terceiro lugar. Mário de Oliveira, 34 anos, de Apucarana, somou 2.278 votos no squash; e Walassi Ollier Aires, 18, de Londrina, somou 1.484 votos, no tae kwon-do.
Nuzman – Segundo o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, já era esperado um grande número de atletas paranaenses indicados para o prêmio Brasil Olímpico. ‘‘Esse é o reflexo de um grande trabalho, sem dúvida nenhuma’’, disse ele. ‘‘Os atletas paranaenses estão de parabéns. Eles foram responsáveis por 20% das medalhas que o Brasil trouxe dos Jogos Pan-Americanos. Eles mereceram estar aqui.’’

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