Mulheres de pilotos entram na briga
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quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Livio Oricchio Agência Estado 
Ao contrário da imagem pluralista normalmente gerada pelo glamour dessas competições, por trás de um grande piloto há sempre uma grande mulher. No singular. Mika Hakkinen e Michael Schumacher nunca cultivaram o tipo conquistador, tão bem representado por Gerhard Berger, por exemplo.
Os dois pilotos que disputam no Japão o título de campeão do mundo fazem questão de estar acompanhados de suas esposas. Erja Hakkinen e Corinna Schumacher tornaram-se figuras ativas nos autódromos por onde passa a Fórmula 1.
É impressionante a nossa identidade de pontos de vista, diz Erja. Ela e Mika se casaram depois do GP do Canadá, em junho, mas há alguns anos viviam juntos. Ele é muito sensível, honesto, sempre diz o que pensa, conta Erja, que nunca deixa de ir a um GP. Tudo começou entre os dois quando o piloto da McLaren foi a uma festa na casa de um amigo em Mônaco, no meio da temporada de 1995.
Erja, finlandesa como ele, morava em Nice, ao lado do Principado, onde era modelo, além de apresentar um programa de viagens na TV de seu país. A relação se tornou mais intensa depois que Erja largou suas atividades para ficar ao lado de Mika na Austrália, enquanto ele se recuperava do grave acidente sofrido nos treinos da prova de Adelaide. Com 37 anos, sete a mais que o marido, Erja até hoje é citada com frequência por Mika como fundamental na sua volta às pistas depois do coma na Austrália. Todo o lento e doloroso processo de recuperação teve o seu acompanhamento.
É nítida a gratidão do piloto a ela, recordando bastante o caso de Nigel Mansell. O piloto inglês mencionava sempre que podia que sua esposa vendera a casa que fora herança do pai para financiar o seu início de carreira no automobilismo.
A exemplo de Corinna, Erja não esconde sua irritação com a falta de privacidade do casal. Mika é propriedade pública no nosso país, diz. Regressar para a Finlândia não está em nossos planos. Eles residem em Mônaco.
Corinna e Schumacher já deixaram o Principado, onde segundo ela nem mesmo lá conseguia passear com os cachorros pelas ruas ou ir a um restaurante com o marido. Moram agora em Vufflens-le-Chateau, próximo a Genebra, na Suíça. O casamento (em agosto de 1995) e depois o nascimento de Gina Maria (em fevereiro do ano passado), me impuseram algumas restrições de deslocamento, fala Corinna, referindo-se a sua ausência em algumas etapas do campeonato.
Corinna tem mais experiência de autódromo que muitos pilotos. Antes de começar a namorar Schumacher, ela acompanhou a carreira de outro alemão nas pistas, Heinz-Harald Frentzen. A troca aconteceu quando Frentzen e Schumacher passaram a dividir o time da Mercedes no Mundial de Esporte-Protótipos, em 1991. Ela se nega a falar do assunto. Private (Privado), resume.
A esposa de Schumacher assume não se adaptar à forma de viver dos japoneses, daí seu desinteresse em, de modo geral, acompanhar Michael nas corridas disputadas no GP do Japão. Em 1995, quando ele conquistou o bicampeonato, Corinna não estava em Aida, no Sul do país. Corinna espera agora o segundo filho do casal.


