Muito suor e boa pescaria no refúgio do LEC
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quarta-feira, 30 de novembro de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Doze dias num hotel fazenda, com muito verde, piscinas, rio, lago, animais e salão de jogos à disposição. Um cenário bom para esquecer dos problemas diários e descansar. Menos para os jogadores do Londrina, que sofrem nas mãos do preparador físico Venâncio Moreira e da comissão técnica alviceleste.
A pré-temporada do Londrina, realizada no Roda D'Água, um hotel fazenda em Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina), está saindo do jeito que o técnico Vica planejou. Muito treino e muito descanso.
Os jogadores treinam em dois períodos, como normalmente ocorre, mas o que aumentou foi a quantidade de esforço exigida nos trabalhos. Na parte da manhã, o treinamento técnico começa às 8h30. À tarde é que os jogadores sofrem. Às 15h30 em ponto e debaixo de um sol escaldante, começam os treinos físicos. Uma carga bastante puxada que exige demais dos atletas. ''O principal aqui é o condicionamento físico. Quando finalizarmos, estaremos num nível de 80% a 90% do preparo ideal'', apontou Vica.
Quem não está gostando muito são os jogadores. Eles, porém, sabem da necessidade do treinamento puxado. ''É muito cansativo. Está todo mundo exausto e as dores começam a aparecer, mas é normal. Ficamos 40 dias parados'', disse o zagueiro Ronaldo Marconato, que deve ser o capitão do time.
Já o lateral-direito Cassiano preferiu levar na brincadeira mais um dia de trabalho. Ao ser chamado por Moreira, disparou para os companheiros: ''É gente, minha mãe me disse pra eu estudar e virar jornalista, mas eu não ouvi, então deixa eu enfrentar o sol''.
Refúgio O hotel Roda D'Água é um refúgio natural. Lá, os jogadores estão longe de tudo e de todos, para treinar e descansar. O campo tem uma linda vista para a Represa Capivara, no Rio Vermelho, que passa no fundo da estância.
Quando não estão treinando, os jogadores aproveitam para passar o tempo com atividades de lazer não habituais no dia-a-dia. A pescaria é a atração principal.
Com a vara de pesca, Bruno e Biro travam uma disputa acirrada para ver quem pega mais peixes. Na demonstração feita à reportagem, os dois mostraram que em termos de pescaria, são bons jogadores de futebol. ''Vou buscar um bitelão aqui. Presta atenção'', desafiou o atacante. Para frustação dele, depois de algum tempo, conseguiu pegar apenas um filhote, bem pequeno.
Alheio à disputa dos dois, com a seriedade de sempre, Marconato também se aventurava na pescaria, mas sempre era importunado pela dupla. ''Olha lá, o tio já cansou'', disseram Bruno e Biro, que referindo à experiência do zagueiro, que é o jogador mais velho do elenco.
Outro atrativo para os jogadores é um boi domesticado, criado, segundo funcionários do hotel, na mamadeira. A semelhança com o ''astro'' da novela América, já lhe rendeu um apelido dos jogadores. ''Vocês viram o Bandido. O que é isso. Aquele ali não dá pra montar não, moço'', mostrou Biro.
À noite, o lazer fica restrito aos chalés, onde os jogadores foram divididos em grupos de seis cada. A televisão e o jogo de cartas ocupam o tempo. Eles não se arriscam a sair dos chalés. ''Tem pernilongo e sapo adoidado'', reclamou Marconato.
Quem se aventurou não quer mais saber. ''O Bruno e eu viemos pescar à noite e os sapos e pernilongos quase carregaram a gente, sem contar que não dá para enxergar um palmo na frente'', contou Biro.
O lazer, no entanto, não fez com que o foco principal da ida para o retiro fosse mudado. ''Aqui a gente sai daquele ambiente do centro, desgastante. A gente se alimenta na hora certa, repouso na hora certa'', afirmou Bruno com uma brincadeira. ''E também chupa manga''.


