Muito além da força bruta
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quarta-feira, 13 de maio de 2009
Renato Oliveira<br>Equipe da Folha 
Londrina - Braço de ferro, queda de braço, jogo de braços, enfim, um esporte dos mais antigos prestes a galgar o status de olímpico. ''Tem uma pré-apresentação prevista para a próxima abertura das olimpíadas. Mas na verdade deveria ser esporte olímpico há muito tempo, porque é um dos mais antigos do mundo'', conta Ricardo França.
Oriundo da era dos Vikings, navegantes conhecidos pelos sete mares como piratas, conforme relembra o treinador dos atletas londrinenses, nas horas de folga ''eles varavam noites em tavernas bebendo vinho e disputando em volta de mesas de madeira quem tinha mais força''. Entretanto, os perdedores não tinham a chance de passar pela sensação de derrota. ''Como eles colocavam um escorpião de cada lado, quem perdesse, perdeu'', afirma França.
Hoje, a prática mudou bastante e, sem muitas pretensões profissionais, um grupo de amantes deste esporte se reúne em academias de Londrina e treina para campeonatos regionais e nacionais.
Desde os anos 80, o carregador de cofres e pianos Nilton Rodrigues foi influenciado por um amigo a disputar braço de ferro. ''Eu sempre gostei de fazer força quando mais novo. Em 1988, aos 17 anos, eu participei do meu primeiro campeonato na extinta academia Roma. Logo depois comecei a disputar títulos como o Paranaense'', revelou o atual campeão da modalidade até 80 quilos do mesmo torneio.
Como desde jovem estava predestinado a trabalhar fazendo força, matricular-se numa academia e pegar firme nos treinos de braço de ferro foi fácil. Com o tempo, Rodrigues explica que foi aprofundando exercícios como tração de dedos, bananinha, barra fixa e supino, todos destinados a fortalecer os músculos da mão, braço e antebraço.
Tudo isso é fundamental para ganhar força, preponderante para conseguir fazer uma boa luta. Mas quando dois atletas possuem o mesmo nível de força, quem for mais técnico acaba vencendo. ''Dependendo de quem você vai confrontar, ele muitas vezes tem bastante força mas não tem técnica. É a experiência que conta neste momento'', analisa Rodrigues.
Outro detalhe curioso apontado por Rodrigues é que geralmente os adeptos do braço de ferro competem com as duas mãos. ''Não dá para treinar apenas um dos braços, senão fica desforme. Por isso 70% dos atletas competem com a mão esquerda e a direita'', explica.
Durante 20 anos como atleta, entre uma queda e outra, o atleta aprendeu que o ponto crucial para se fazer uma boa partida é ''ficar esperto na saída''. ''Quem conhece a regra sabe que é permitido dar uma dobradinha no braço, sair por cima. Não pode levantar o cotovelo da mesa e deitar sobre o braço. O resto pode. É assim que se ganha de quem não têm técnica'', revela Rodrigues.
Na opinião de Jorge Júnior, 21 anos, que treina desde 1999, a calma é o elemento mais importante numa mesa de competição. ''Prefiro evitar que a emoção suba à cabeça e nem ficar nervoso porque não adianta. Tem que deixar rolar'', acredita. Mas sem a dedicação diária que consome pelo menos uma hora e meia de treinamentos também não se ganha títulos. ''Se você está preparado tem que confiar'', aponta.
Dentre os atletas londrinenses, Júnior está em evidência porque já foi campeão brasileiro quando competia pela categoria júnior, em 2006, com as mãos direita e esquerda. No ano seguinte, passou para a sênior e perdeu o título, em Guarulhos em 2007, na disputa final contra um campeão mundial. ''Eu estava bem, não faltou nada da minha parte. Mas o cara que ganhou, Felipe Campos, estava melhor. Também já foi campeão mundial e é um dos tops'', recorda.


