Mudou a postura?
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sábado, 06 de fevereiro de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Seis jogos, seis vitórias, 18 pontos, 100% de aproveitamento, 16 gols marcados e apenas dois sofridos. Ao analisar os números de Atlético, Coritiba e Paraná Clube nas duas primeiras rodadas do Campeonato Paranaense é fácil chegar a uma constatação. Depois de anos assistindo a evolução dos times do interior, os representantes da capital dão mostras de que resolveram acordar de vez.
A verdade é que nas temporadas anteriores, especialmente nas duas últimas, o Trio de Ferro não fez questão de esconder que sua prioridade não era o Estadual. O Atlético, por exemplo, jogou as três últimas edições com o time Sub-23. Em 2015, só colocou seus titulares em campo nas rodadas finais e mesmo assim não conseguiu escapar do Torneio da Morte. O Coritiba, menos, mas também não fez questão de valorizar o torneio, tanto que levou o que tinha de melhor a campo somente a partir da quinta rodada.
Em 2016, a coisa mudou. Na capital, ninguém quis saber de dar bobeira novamente. Todos entraram com seus times titulares, ainda reforçados durante a pré-temporada. Sinal de que a forma de olhar para o campeonato mudou. "Está aí a grande diferença: os três times estão interessados, começaram querendo alguma coisa. O interessante é o seguinte: talvez até por uma mudança de postura clara do Atlético, para disputar o campeonato para valer, entrou em cena a rivalidade com o Coritiba, que também entrou para valer", analisou o comentarista Cristian Toledo.
Os títulos de Londrina e Operário nos dois últimos anos, além das boas campanhas dos emergentes Maringá e Foz do Iguaçu, por exemplo, comprovam uma retomada de espaço dos clubes do interior depois de verem por mais de uma década o trio da capital tomar conta do cenário estadual. Para Toledo, essa mudança no panorama serviu de alerta para Coxa, Furacão e Tricolor. "O Sérgio Malucelli (gestor do Londrina) falou na apresentação do campeonato que a capital percebeu que não ganhava mais do jeito que queria. E é bem isso. A capital só teve que se virar porque o interior melhorou, por organização, isso é o mais bacana", pontuou o comentarista.
Dá para ver que até o discurso na capital é diferente em relação a anos anteriores. "A gente conquistou os seis pontos no Paranaense, mas agora precisamos manter os pés no chão, buscar evoluir e seguir bem no campeonato", valorizou Gilson Kleina, técnico do Coritiba.
O Atlético sofreu nas rodadas iniciais dos três últimos certames, com um time Sub-23. Em 2013 e 2014, foram dois empates e uma derrota nos três primeiros jogos. No ano passado, uma vitória, um empate e uma derrota. O técnico Cristóvão Borges tem valorizado a performance no início de Estadual. "De qualquer forma, não ter levado gol é muito bom porque demonstra, sim, um caminho melhor do que nós tínhamos", apontou.
Mas esse bom início já os coloca como favoritos maiores à conquista do título? Para Toledo, ainda não. Justamente porque algumas equipes do interior continuam mostrando força e condições de fazer frente ao trio. "O Londrina é a primeira opção. Montou um elenco encorpado, tem calendário todo o ano, por isso se programou de outra forma. Tem condições de encarar. Não descarto Operário, mesmo depois de duas derrotas, assim como o Maringá. Além disso, sempre tem um franco atirador, para surpreender no campeonato", avaliou.
Apesar da diferença cada vez menor, não há como negar também que o investimento ainda pesa em campo. Um bom exemplo é o valor repassado aos clubes pelos direitos de transmissão do torneio, principal fonte de renda de todos, exceto da dupla Atletiba. Juntos, os clubes da capital vão receber 40% mais dinheiro que os times do interior: R$ 5,3 milhões contra R$ 3,8 milhões.
O Trio de Ferro lidera o torneio, junto com o Londrina, todos com seis pontos. Maringá, J.Malucelli, FC Cascavel e Foz do Iguaçu têm três pontos.


