A Confederação Brasileira de Tênis (CBT), pressionada pelos dois melhores jogadores do País - Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni -, anunciou ontem mudanças na comissão técnica para a Copa Davis. O capitão Paulo Cleto, que estava há 14 anos na função, foi substituído pelo técnico Ricardo Acioly, o Pardal, que terá como assistente Larri Passos. Acioly é o técnico de Meligeni, enquanto Larri orienta Guga. A próxima participação brasileira na Davis está marcada para o período de 18 a 20 de setembro, em Florianópolis, contra a Romênia, pela repescagem do torneio.
A mudança no comando da equipe da Davis foi anunciada pelo presidente da CBT, Nelson Nastás, que confirmou, a contragosto, a existência de uma carta, mandada por Guga e Meligeni, condicionando a participação dos dois no confronto contra a Romêmia à substituição de Cleto.
‘‘Recebi a correspondência há cerca de duas semanas, sugerindo mudanças, mas a carta não teve efeito prático’’, garante. ‘‘Eu já vinha conversando com o Paulo desde Roland Garros, em junho, sobre mudanças na equipe.’’
O presidente da CBT admitiu ‘‘desgastes’’ na equipe, mas prefere não ‘‘criar polêmicas’’ ou um ‘‘clima ruim’’ para o tênis. ‘‘O conteúdo da carta não interessa a ninguém a não ser eu’’, diz. ‘‘O importante é que tudo será acertado.’’
Paulo Cleto passará a ocupar o cargo de diretor-técnico da CBT, cuidará da parte administrativa da Davis e dos departamentos infanto e juvenil da entidade. Abatido com a situação, Cleto admite que os problemas vinham de algum tempo e estavam sendo agravados. ‘‘Cada jogador tem o seu técnico e é muito difícil administrar egos’’, diz. ‘‘A circunstância era bem clara, de muito pajés e de poucos índios.’’
O ex-capitão admite também não estar à vontade diante da situação, mas que tem planos e espera convertê-los em realidade. ‘‘Vou ocupar o primeiro cargo profissional da CBT e sei que posso trazer muitas coisas novas para o esporte’’, comenta. ‘‘Espero contar com o apoio da CBT.’’

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