Mudanças no regulamento geram descontentamento
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sexta-feira, 05 de março de 2004
Agência Estado 
Melbourne, Austrália - O primeiro dia de treinos livres do GP da Austrália, ontem no circuito Albert Park, estréia de uma série de modificações nos regulamentos técnico e esportivo, deixou vários ensinamentos. O mais importante deles: conforme se esperava, a regra que estabeleceu um único motor por piloto por fim de semana de corrida fez, de fato, com que várias equipes detivessem seus carros parados nos boxes, a fim de economizar motor para a programação de hoje e amanhã. Caso tenham de substituí-lo perdem dez posições no grid.
Muitos torcedores que ocupavam, em excelente número, as arquibancadas da pista de Melbourne não entenderam bem quando, até quase o fim da sessão livre da manhã, poucos pilotos trabalhavam no acerto de seus chassis. Estavam parados nos boxes. ''Estamos guardando nossos motores para a prova'', confirmou Ian Philips, diretor da Jordan. ''É frustrante ter de repassar para nosso terceiro piloto, Anthony Davidson, a função de permanecer na pista enquanto nós ficamos de fora, assistindo tudo'', revelou Jenson Button, da BAR.
É incrível mas verdade. Como trata-se da primeira etapa do campeonato talvez venha a ser assim até a última , ninguém quis correr maiores riscos e cumpriu, ontem, o mínimo de quilometragem possível com seus motores. ''É um recurso das equipes. Mas devemos ter em mente que também é preciso acertar o chassi para o circuito. Acho que encontraremos um compromisso entre um e outro'', disse Michael Schumacher a respeito do circuito quase vazio de manhã. Ele próprio deu apenas quatro voltas. ''É o lado ruim da medida, que sempre fui contra, mas acham que irá reduzir os custos'', falou Bernie Ecclestone, promotor do Mundial.
Outra constatação: o terceiro piloto terá papel mais importante do imaginado em princípio. Fora as quatro primeiras colocadas no último campeonato de construtores Ferrari, Williams, McLaren e Renault as demais podem ter um carro extra às sexta-feiras, conduzido por um piloto que não tenha disputado mais de seis GPs nos últimos dois anos. A Toyota trabalha com Ricardo Zonta, a BAR, com Anthony Davidson, a Jaguar, Bjorn Wirdheim, e a Jordan, Timo Glock. Eles podem permanecer na pista à vontade porque trabalham apenas na sexta-feira.
Resultado: enquanto os titulares dão poucas voltas, eles se encarregam de testar vários tipos de pneus e experimentar diferentes ajustes nos carros. Só dá eles no circuito. Um pouco frustrante para quem paga para ver Michael Schumacher, Juan Pablo Montoya, Fernando Alonso, dentre outros.
Enquanto as regras experimentadas também no GP da Austrália em 2003 geraram aprovação da maioria, às vezes até com louvor, as deste ano conseguiram não agradar a quase ninguém. Talvez depois das 58 voltas da etapa de abertura do Mundial, as coisas fiquem mais fáceis de serem compreendidas e as críticas diminuam. Mas as chances são pequenas. A impressão geral é de que a FIA e as equipes, os que definem as regras, desta vez se equivocaram.


