O temor da gripe, por causa do frio, já foi superado pelo primeiro grupo de atletas da delegação olímpica brasileira que está concentrada em Canberra, a 280 km de Sydney, para treinamento e adaptação na Austrália. A preocupação dos médicos agora é com a mudança da alimentação.
‘‘Nada grave até o momento. A reclamação mais comum é um certo incômodo intestinal. Mas isso é normal, questão de tempo. Faz parte da adaptação’’, afirmou o médico Bernardino Santi, da equipe médica do COB.
A mudança alimentar, principalmente do tempero, é responsável por esse tipo de desconforto. Segundo Santi, a decisão de cumprir esse estágio na Austrália antes da Olimpíada foi acertada porque dá tempo para que questões desse tipo, comuns quando as pessoas viajam, sejam superadas. ‘‘Houve dois casos de desarranjo intestinal na equipe de boxe que foram contornados com medicamentos e troca de alimentação’’, afirmou Santi.
Depois das chegadas das equipes de boxe e judô, modalidades que exigem muito contato físico, aumentou o trabalho do departamento médico do COB porque os atletas necessitam mais de massagens e de fisioterapia.
O caso mais complicado, mas sem gravidade, afirmam os médicos do COB, é o da judoca Edinanci Silva, que sofreu uma torção no joelho direito. Ela está fazendo tratamento médico e a previsão é de que volte aos treinos dentro de dois dias. ‘‘Os atletas estão treinando forte, perdem muitos sais minerais, sódio, potássio. A atenção fica concentrada sobre o equilíbrio hidroeletrolítico, ou seja, a hidratação dos atletas, que precisam beber muito líquido’’, disse Santi.
Outro aspecto que exige atenção a partir de agora é a parte psicológica, pois, com a proximidade dos Jogos, cresce a tensão. ‘‘Nessa fase, até as sessões de massagem são importantes para relaxamento do atleta’’, declarou o médico.
Guarda em campo – O caráter incipiente do futebol australiano provocou uma situação curiosa: no primeiro jogo-treino que fará no país da Olimpíada, em 7 de setembro, a seleção enfrentará um dos guardas responsáveis por sua segurança. Peter Dwyer, 35 anos, é atacante do Brisbane Strikers, o adversário brasileiro no tal jogo-treino.
Questionado sobre a dificuldade de suas duas tarefas, vigiar e enfrentar no campo a seleção, ele não titubeou: ‘‘É muito mais difícil enfrentá-los’’.
Para o técnico Candinho, jogar contra um ‘‘anjo da guarda’’ não é nenhum demérito. ‘‘Você sabia que o Nigel Mansell era guarda em Londres? E depois foi campeão mundial (de F-1). Não tem nada a ver. É que um policial aqui (na Austrália) tem um bom emprego. É uma profissão de respeito’’, afirmou.

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