Edmundo sabe da importância de uma vitória sobre o Vasco, hoje, às 16 horas, na Vila Belmiro, mas procurou diminuir o impacto do confronto que terá com Romário, um declarado desafeto – e que pode ser indiciado por sonegação fiscal. Sabe também que a solução para a crise do Santos passa por um bom resultado, mas a tensão ainda é grande entre os jogadores, torcedores e a comissão técnica.
Uma derrota pode significar mudanças profundas na equipe, a começar pela troca de técnico, e todos demonstram vontade de vencer. ‘‘O Santos tem uma qualidade alta, que está sendo um pouco questionada devido as últimas atuações, mas é num momento difícil, jogando contra um time grande como o Vasco, é que a gente vê o grande homem e o grande jogador’’, disse o artilheiro.
O Santos conseguiu no final da tarde de ontem o efeito suspensivo para que Rincón possa atuar hoje. Clodoaldo Tavares Santana passou o dia no Rio de Janeiro tentando a liberação, conseguida depois que o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Luiz Zveiter, que estava viajando, liberou por telefone o presidente da Segunda Comissão Disciplinar, Wanderley Rebello, a conceder o efeito suspensivo. Rincón havia sido punido com a suspensão por quatro jogos por ter sido expulso no jogo contra o Juventude, no dia 23 de agosto.
Já Edmundo não se mostrava preocupado com o peso de um duelo entre ele e Romário, dois desafetos. ‘‘Poucas vezes tenho a oportunidade de ouvir seus comentários’’, disse o artilheiro, destacando que ‘‘meu papel dentro de campo é de jogar com os pés e ele, com os pés, tem feito isso como ninguém’’. E deu um troco, mesmo sem demonstrar qualquer ironia: ‘‘Estou trabalhando, correndo atrás, para que possa fazer igual’’.
A dúvida do técnico Giba é o meia é Valdo, que ainda não havia sido liberado pelos médicos e passará por nova avaliação médica hoje. Já o zagueiro Claudiomiro foi vetado e será substituído por Sangaletti. Outra alteração será na lateral direita, com Preto entrando no lugar de Marcelo Silva.
Romário – O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou ontem à Justiça Federal recurso para que Romário seja indiciado por crime de sonegação fiscal. O MPF e a Receita Federal conseguiram juntar provas de que Romário sonegou mais de R$ 1 milhão ao Imposto de Renda, entre 1993 e 1994.
Primeiro, o documento será analisado pela juíza da 8ª Vara Federal Criminal Valéria Caldi Magalhães. Se ela acatar a denúncia, será instaurado imediatamente uma ação penal contra Romário. A decisão da juíza deverá ser anunciada até quarta-feira. Se Valéria não acolher o pedido do MPF, o recurso vai ser julgado pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF).
O advogado de Romário, Michel Assef, garantiu que o jogador não está preocupado com o recurso. ‘‘A juíza já recusou o pedido; ganhei a causa’’, afirmou ele, informando ter feito contato com Romário para discutir o assunto. ‘‘Não será tomada nenhuma medida.’’ Irritado, Assef acusou o MPF de estar querendo aparecer para o público. ‘‘Esses procuradores adoram sair no jornal’’, ironizou, esquecendo-se de que não foi mencionado o nome do procurador responsável pelo caso.
Assef negou a existência de sonegação fiscal por parte de Romário. ‘‘Quero ver as provas’’, enfatizou. Ao ser lembrado de que havia um documento da Receita Federal provando que houve sonegação, o advogado criticou a autarquia governamental. ‘‘A Receita sempre acha que a gente está devendo, o que interessa é o parecer da Justiça.’’ Romário se esquivou de perguntas sobre o tema.

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