MP pode ser a solução para o Brasileiro
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quarta-feira, 21 de maio de 2003
Demétrio Weber<br> Agência Estado 
Brasília - A decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e dos clubes de suspender o Campeonato Brasileiro para pressionar o governo a alterar o Estatuto de Defesa do Torcedor desagradou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''O torcedor também tem seus direitos'', disse Lula, durante encontro com empresários, pela manhã, no Palácio do Planalto. Decidido a garantir a realização da rodada do Brasileirão no próximo fim de semana, ele determinou ao ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, que entrasse em contato com a CBF e o Clube dos 13 para resolver o impasse.
O dia em Brasília foi de reuniões e telefonemas para todo o lado. Às 18h30, representantes da CBF, do Clube dos 13, do governo e dirigentes de times, em encontro com deputados federais na Câmara, chegaram a um acordo que dependia ainda do aval de Queiroz. Às 19h15 o grupo já se encontrava no Ministério do Esporte, mas ainda não havia iniciado a reunião com o ministro. ''Conseguimos achar uma proposta que consegue equacionar e resolver esse problema para que possamos ter jogos no fim de semana'', disse o presidente da Subcomissão Permanente de Desporto, deputado Gilmar Machado (PT-MG). ''Não há da nossa parte nem da parte dos clubes nenhuma tentativa de enfrentamento. Estamos construindo uma proposta que vai ser boa para o futebol e os torcedores brasileiros.''
Recuo - Machado, que foi relator do Estatuto de Defesa do Torcedor na Câmara dos Deputados, não adiantou os termos da proposta. Mas ela poderia vir na forma de uma Medida Provisória a ser editada pelo governo federal. Antes do encontro na Câmara, o vice-presidente do Cruzeiro, ex-deputado Zezé Perrella, disse que os clubes não aceitam dois pontos do estatuto: o sorteio de árbitros e a responsabilização dos dirigentes de clubes por falhas na segurança ''independentemente da existência de culpa''.
Pela manhã, o líder do governo na Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), disse que o governo não estava disposto a ceder e acusou a CBF de ''chantagem''. Queiroz também afirmou que o estatuto foi sancionado na última sexta-feira por Lula e não seria alterado.
O ministro lembrou que as exigências de infra-estrutura, como a instalação de câmeras de vídeo em estádios com mais de 20 mil lugares, e a venda de ingressos numerados, só serão exigidas daqui a seis meses, dando tempo para a adaptação dos clubes.
Perrella, porém, argumentou que muitos estádios, como o Maracanã (Rio de Janeiro), o Pacaembu (São Paulo) e o Mineirão (Belo Horizonte), são públicos e, portanto, não pertencem aos times de futebol. Daí que os dirigentes só deveriam ser responsabilizados após a comprovação de que cometeram falha. ''Queremos ter o mesmo tratamento que o Lula tem. Se alguém morre numa estrada, ninguém pode entrar na Justiça contra o Lula. Agora, se morre no estádio, pode entrar contra o presidente do clube'', disse Perrella. Ele afirmou também que não há árbitros e bandeirinhas em número suficiente no Brasil para a realização de sorteios, como prevê a nova lei do futebol.


