MP pode inibir investimentos no futebol, dizem especialistas
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
Por Paulo Guilherme 
São Paulo, 26 (AE) - Os especialistas em marketing esportivo desaprovam a medida provisória do governo que proíbe que mais de uma entidade esportiva seja gerenciada por uma mesma empresa. Para eles, a MP é precipitada e pode provocar o afastamento dos investidores no esporte nacional e frear o crescimento de outros setores que estavam se beneficiando destes investimentos, como o mercado publicitário, o setor de entretenimento e os esportes amadores. Além disso, a questão não deveria envolver o governo federal.
"Esta medida provisória é absurda", afirma o empresário J. Hawilla, que intermediou a entrada da Hick Muse Tate & Furst no futebol brasileiro, em associação com o Corinthians e o Cruzeiro. "Ela é contra o futebol brasileiro." Ele acha que o assunto deveria ser tratado apenas pelos clubes. Hawilla acredita que as grandes empresas sentirão inibidas em investir nos clubes e deverão migrar para outros setores.
Hawilla acha que vai se criar um abismo entre os clubes que já fizeram parceria antes da edição da MP (Corinthians, Palmeiras, Vasco e Cruzeiro) com os demais. "Os outros clubes não terão chances de competir", prevê o dono da Traffic, empresa de marketing esportivo.
Ele cita o exemplo das grandes ligas do esporte norte-americano (NBA, NFL e MLS) nas quais cada uma é considerada uma grande empresa e gerencia todas as equipes filiadas. "As redes de telecomunicações do México têm vários clubes e no entanto nunca houve manipulação de resultados", acrescenta Hawilla.
O especialista em marketing esportivo Paulo Guerra acredita que a MP ainda vai ser remodelada. "É preciso que ela deixe brechas para permitir a entrada dos investidores", diz. Guerra acha que apesar da MP algumas empresas ainda deverão entrar em sociedade com certos clubes, mas o volume de investimento deverá diminuir. "Não acredito que haveria cartelização no esporte brasileiro, há espaço para muitas empresas investirem", avalia Guerra. Para ele, além do futebol, a MP vai brecar o volume de investimento que vinha sendo feito em marketing esportivo.


