MP investiga os irmãos Perrella
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Agência Estado 
Belo Horizonte - O Ministério Público (MP) de Minas Gerais instaurou ontem investigação para apurar a evolução patrimonial dos irmãos Zezé Perrella e Alvimar de Oliveira Costa, o Alvimar Perrella, respectivamente vice-presidente de futebol e presidente do Cruzeiro. Com base em uma reportagem publicada no último domingo pelo jornal Estado de Minas, o promotor Eduardo Nepomuceno disse que há ''indícios suficientes'' para a abertura de uma investigação sobre um possível ''desvio de bens ou enriquecimento ilícito'' dos dirigentes nos anos que estiveram à frente do clube mineiro. ''O objeto central é o suposto desvio de bens do clube em favor dos dirigentes'', disse.
Os irmãos Perrella controlam o Cruzeiro desde 1995, quando Zezé assumiu a presidência, ocupando o cargo por três mandatos consecutivos, até 2002, ano em que fez o irmão como sucessor.
A reportagem do jornal mineiro relata a sociedade de Zezé Perrella em uma rede de empresas e informa que o dirigente declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em 1998, quando se candidatou a deputado federal, um patrimônio de R$ 830 mil, que saltou para R$ 1,94 milhão três anos depois.
Segundo o jornal, o capital social das quatro empresas com as quais o dirigente possui ligação é de R$ 3,5 milhões e a fortuna acumulada por Perrella nesses últimos anos pode ser verificada pelos seus bens. O dirigente saiu de uma residência de classe média para morar em uma mansão no bairro nobre da Pampulha, em Belo Horizonte, avaliada em R$ 2 milhões, além de possuir carros importados e até um avião.
O promotor Fernando Galvão informa que a investigação contará com o apoio da Polícia e da Receita Federal. O conselheiro e auditor do Cruzeiro, Euler Mendes Nogueira, é apontado como contador dos irmãos Perrella e teria ligações com algumas de suas empresas.
Outra denúncia é a de que uma das empresas abertas para viabilizar a parceria entre Cruzeiro e Hicks, Muse Tate & Furst, que vigorou de 1999 a 2002, tem sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman.
Nepomuceno e Galvão integram a Promotoria Especializada em Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPE e comandaram as investigações que levaram ao afastamento de Élmer Guilherme e outros dirigentes da Federação Mineira de Futebol (FMF), no ano passado.
Zezé divulgou nota na qual contesta pontos da reportagem e a vinculação feita entre sua evolução patrimonial e a do clube, salientando que foi sócio em empresas de faturamento elevado. Diz que o aumento do capital social citado foi realizado através de ''reservas de lucros e correção monetária de balanço''.
Sobre o contador Euller Nogueira Mendes, afirma que ele foi convidado para ser conselheiro do Cruzeiro após ''vários anos de bons e reconhecidos serviços ao clube, mantendo completa independência em seus exames''.
Diz ainda que foi o ''único dirigente do Brasil a oferecer espontaneamente'' o sigilo fiscal e bancário para a CPI do Futebol. ''O mesmo estou fazendo a partir de agora com a presidência e o conselho fiscal do clube para que não paire dúvidas sobre minha idoneidade''.
O presidente Alvimar Perrella não havia, até o final da tarde de ontem, se pronunciado sobre o assunto.


