Rio, 25 (AE) - Os presidentes dos principais clubes do Rio manifestaram apoio à Medida Provisória que proíbe o controle de duas ou mais associações esportivas por uma mesma empresa. "Essa medida é bem-vinda, pois favorece o esporte", afirmou o presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva, O presidente do Botafogo, José Luiz Rolim, concorda com Edmundo. "É importante para preservar a integridade das disputas esportivas", declarou.
Para o dirigente do Flamengo, não seria saudável para o futebol que uma empresa controlasse dois clubes. "Embora eu ache que os jogadores nunca iriam beneficiar outra equipe que tivesse o mesmo patrocinador", ressaltou. O presidente do Vasco
Antônio Soares Calçada, também descarta a possibilidade de manipulação de resultados. "Não acredito que uma empresa interferisse nos confrontos entre dois times aos quais fosse ligada." De acordo com o presidente do Flamengo, os presidentes do Clube dos Treze vão realizar uma reunião na sexta-feira, quando a medida provisória pode ser discutida.
Para ele, o Clube dos Treze deve apoiar a medida, ratificando a posição assumida em 1998, quando a entidade apresentou um anteprojeto sugerindo que uma empresa fosse proibida de controlar mais de um clube. "Foi uma posição muita madura do grupo, naquela ocasião." Ao contrário de Edmundo, o presidente vascaíno não vê obstáculos na associação de uma empresa a mais de um clube. "Os clubes não seriam prejudicados por isso", opinou.
Calçada ressaltou que ainda desconhece o conteúdo da Medida Provisória. À tarde, ele informou que se reuniria com o vice-presidente de Futebol do Vasco e deputado federal, Eurico Miranda (PPB-RJ), para inteirar-se sobre o assunto.
Segundo Rolim, as empresas podem não interferir no resultado dos jogos, mas pode haver problemas nas negociações de jogadores e na formulação de tabelas. "A troca de atletas entre dois clubes controlados pela mesma companhia ficariam facilitadas", admitiu. "Onde há interesse financeiro, existe um risco concreto de ferir a lisura do esporte." Apesar de o Botafogo não contar com patrocinador atualmente, Rolim acredita que não terá dificuldade para conseguir associar-se a uma empresa, por causa da Medida Provisória. "Estamos examinando quatro ou cinco propostas", informou. Rolim admite que é impossível sobreviver sem parcerias no futebol atual.
Em negociação para fechar contrato com a empresa de Marketing suíço ISL, o presidente do Flamengo acredita que, com medida em vigor, haverá maior número de patrocinadores investindo no futebol. Edmundo afirmou que os clubes com torcidas menores que o Flamengo não terão dificuldades para encontrar parceiros, desde de que cosigam formar uma estrutura "Fica difícil se não houver um trabalho sério."
CONTESTAÇÃO - O presidente do Fluminense, David Fischel, teme que o clube possa ser prejudicado se a medida entrar em vigor. Ele explicou que o clube está negociando um contrato com uma empresa que já tem parceria com outros grandes clubes, sugerindo que a negociação fosse com a Hicks&Muse.

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