São Paulo, 25 (AE) - A Medida Provisória (MP) que proíbe a mesma empresa de administrar mais de um clube de futebol não deverá ser votada amanhã. Isso porque, a tentativa feita pelo governo gerou uma crise na base aliada e uma ameaça de paralisação nas votações do Congresso. "Se a votação acontecer, a oposição vai obstruir todas as votações na Casa", reagiu ontem o deputado Gilmar Machado (PT-MG), presidente interino da comissão que analisa a MP.
O governo desejava realizar a votação amanhã, alegando que precisa garantir a renovação atual da taxa sobre os bingos, mas houve uma revolta na comissão que estuda o assunto no Congresso.
Integrante da comissão, o senador Maguito Vilela (PMDB-GO), da base governista, já começou a bombardear a tentativa de se votar a MP. Depois de conversar com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), ele garantiu que a MP não seria votada amanhã. Para o deputado Machado, a votação abortaria o trabalho da comissão, que deseja estudar melhor o assunto para propor alterações na MP.
Greca - "Votar um assunto que ainda está sendo discutido pela comissão é um absurdo que jamais aconteceu no Congresso", reclamou Machado. Para ele, o governo quer impedir o depoimento do ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, que está marcado para quinta-feira. "Eles querem evitar a vinda do Greca e acabar com o trabalho da comissão", criticou o deputado.
Além disso, o presidente da comissão acha que há muitos interesses envolvidos nisso. "A pressão dos donos de bingo e das empresas envolvidas com o futebol também é muito grande", lembrou Machado. Até mesmo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o contrato da CBF com a Nike foi citada pelo deputado. "Há uma grande armação por trás de tudo", continuou o parlamentar. "Se o pessoal conseguir limpar a barra agora, poderá haver uma compensação depois."
Bingos - A argumentação do governo é de que a votação não impediria algumas futuras alterações no texto da MP. A votação serviria apenas para impedir que a cobrança da taxa sobre os bingos perdesse a validade. Desta forma, mesmo com a MP votada, os trabalhos da comissão poderiam continuar. Além do ministro Greca, a comissão pretende ouvir várias autoridades envolvidas com o futebol, como os ex-jogadores e ex-ministros do Esporte, Pelé e Zico.
Para Machado, porém, não há como continuar os trabalhos da comissão com a MP já votada. "O que vamos fazer depois que ela for votada?." Para tentar uma solução, o presidente da comissão conversaria ontem à noite com o líder do governo na Câmara, Artur Virgílio (PSDB-AM). De qualquer forma, Machado diz que se o governo insistir na votação, não haverá acordo. "Não vamos aceitar que passem por cima da comissão", avisa.

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