Rio - O Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro pedirá nesta segunda-feira, 10, a interdição do estádio de São Januário, onde o torcedor vascaíno Davi Rocha Lopes, de 27 anos, morreu após ser baleado no peito e outros quatro torcedores ficaram feridos na noite de sábado, durante um confronto após o clássico entre Vasco e Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. De acordo com o promotor Rodrigo Terra, o Vasco não atendeu a uma solicitação feita no início do ano pelo MP, que pedia um plano de ação e de segurança para a realização dos jogos no estádio.

"Vamos pedir a interdição do estádio São Januário e, apenas a partir do momento que seja apresentada e aprovada a estratégia de realização de grandes eventos no local, é que será liberada a utilização", disse Terra, em entrevista ao canal Sportv neste domingo,9.

O promotor ainda criticou o presidente do Vasco, Eurico Miranda, que pediu desculpas em nome do clube pelo incidente e disse que a clube tinha tomado todas as providências necessárias para a realização do jogo. "O que vimos é uma falha no cumprimento do dever de segurança por parte dos organizadores do evento. Ele (Eurico) pede desculpas, mas diz não ter culpa. Não consigo captar a mensagem", criticou Terra.

A Polícia Civil do Rio, por sua vez, abriu inquérito para investigar a morte de Davi Rocha Lopes, que foi baleado em uma confusão desencadeada por torcedores do próprio Vasco, iniciada após a vitória do Flamengo por 1 a 0.

O tumulto levou pânico a quem estava no estádio. A vítima chegou a ser levada para o Hospital Municipal Souza Aguiar, mas já chegou sem vida ao local. Outros quatro torcedores feridos receberam atendimento no mesmo hospital e foram liberados, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

A confusão começou ao fim do clássico. Torcedores vascaínos, indignados com a campanha da equipe no campeonato brasileiro, atiraram pedras e rojões contra o gramado, sendo contidos pela polícia com bombas de gás e spray de pimenta. Os torcedores destruíram as instalações do estádio, e a confusão se prolongou pelas ruas do bairro, onde Lopes foi ferido.

Os torcedores do Flamengo que acompanharam a partida precisaram de proteção policial para deixar o local. As investigações sobre as circunstâncias em que Davi Lopes foi ferido e de onde partiu a bala que o atingiu estão em andamento na Delegacia de Homicídios da capital fluminense.

Desculpas de Eurico
Após a confusão ocorrida na noite do último sábado, Eurico Miranda convocou uma coletiva para comentar a briga generalizada em São Januário e pedir desculpas pelo incidente. A confusão teve até bombas lançadas e obrigou jogadores do Flamengo e a arbitragem, preocupados, a permanecerem no centro do campo após o apito final.

"Eu preciso, como presidente do Vasco, pedir desculpas. O que aconteceu aqui não é Vasco. Isto aqui não é Vasco. Estou apresentando o meu pedido de desculpas em nome do Vasco. O que aconteceu aqui não tem nenhuma justificativa", afirmou Eurico.

Além do pedido de desculpas, o dirigente alegou que chegou a pedir torcida única para o duelo. "Preciso deixar uma coisa bem clara. Nós tomamos todas as providências para que o jogo pudesse ocorrer sem nenhum incidente. Não sei se mudaria algo, mas sugeri que o jogo fosse com torcida única, e a PM não quis atender esse pedido."

Eurico também insinuou que a confusão pode ter sido motivada por motivos políticos. "Isto exige algumas explicações e até uma reflexão maior. Fizemos um esforço muito grande em recuperar São Januário, que é um estádio histórico. Encontramos ele totalmente degradado e o recuperamos", descreveu.

"Não estou dando explicação, estou querendo dizer claramente que algumas coisas contribuíram para que isto viesse a acontecer. É algo que me parece - tenho certeza - que estava preparado. A primeira derrota que tivemos aqui, contra o Corinthians, já houve uma tentativa. Uma série de fatores contribuíram", acrescentou.

Ainda assim, apesar da tentativa de politizar a tragédia, o presidente do Vasco reforçou o pedido de desculpas. "Vou reiterar. Esse é um pedido formal de desculpas, não aos vândalos que fizeram isso, mas a imensa torcida do Vasco. E também aos outros torcedores."

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