Ed Carlos Rocha
De Curitiba
Os atos de vandalismo entre torcedores do Atlético e do Coritiba, no Atletiba do último domingo, no Estádio Couto Pereira, em Curitiba, pelo Campeonato Brasileiro, trouxeram à tona mais uma vez o assunto extinção das torcidas organizadas. Por conta das 15 pessoas feridas e dos danos a 43 carros, o Ministério Público (MP) do Paraná está fazendo uma investigação para saber se a baderna teve envolvimento destes torcedores.
Segundo o procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacoia, representante do Ministério Público, se forem encontrados indícios de que a violência no Estádio Couto Pereira tenha partido de ações das organizadas, o Ministério vai promover judicialmente a extinção delas.
‘‘Não é fácil encontrar elementos reais que liguem esse tipo de violência às torcidas oganizadas. Mas se houver ligação, o Ministério Público vai ser rigoroso’’, disse Gilberto Giacoia, ressaltando que pretende ouvir ainda representantes do Coritiba e da Polícia Militar para apurar também de quem foi a culpa pelas falhas na segurança no estádio do alviverde.
A Secretaria de Segurança Pública do Paraná também vai tomar parte na questão. Ontem, o assessor de imprensa da secretaria, Valdir de Córdoba Bicudo, informou que até o final da semana o secretário Cândido Martins de Oliveira deverá se reunir com membros do Ministério Público e ver que medidas podem ser tomadas para acabar com a violência nos campos de futebol, mesmo que se tenha que extinguir as torcidas organizadas. ‘‘O secretário foi claro. Segundo ele, esse tipo de violência não pode acontecer mais’’, disse Bicudo.
Mas como medida preventiva para tentar evitar as badernas, a Secretaria de Segurança vai passar a vistoriar todos os estádios de Curitiba antes das próximas partidas pelo Campeonato Brasileiro. A vistoria deve começar hoje, na Arena da Baixada, onde sábado o Atlético Paranaense enfrenta o Corinthians, em jogo considerado de risco pelo grande número de torcedores dos dois times.
Segundo Bicudo, quando for constatado algum tipo de problema com a segurança, como os restos de entulhos encontrados no Couto Pereira no domingo passado, a secretaria vai enviar um ofício à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e uma nota à imprensa, informando que o estádio não oferece condições de segurança para a realização de uma partida de futebol.
‘‘A partir daí, a responsabilidade por qualquer problema que acontecer será de quem autorizar a realização do jogo’’, observou Valdir Bicudo.
De acordo com o assessor, a secretaria considerou os dirigentes do Coritiba como os culpados pela violência de domingo no Couto Pereira por ter deixado entulhos no estádio, justamente por onde a torcida do Atlético iria entrar.
O presidente do Coritiba, João Jacob Mehl, não se sente culpado porque a PM havia liberado o espaço. ‘‘O Coritiba não teve culpa porque apenas procurou dar mais espaço aos seus torcedores, fazendo o que o Atlético faz na Baixada’’.

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