Cascais, Portugal - Radicado em Portugal desde 1987, quando trocou o Flamengo pelo Benfica, o ex-zagueiro e agora técnico, Mozer, convive com uma mágoa que o acompanha há quase duas décadas. Ainda não entende por que foi cortado da Copa de 94. Ele foi excluído do grupo que se tornaria tetracampeão nos Estados Unidos sob alegação de que estaria supostamente com hepatite. ''Esse é um motivo que eu tenho um pouco mais de mágoa, porque eu não tive problema nenhum'', afirmou o ídolo flamenguista.
Mozer conversou com exclusividade com a FOLHA em Cascais, na região de Lisboa, onde mora. E desabafou sobre o episódio que o marcou na vitoriosa carreira. ''Para mim foi frustrante porque eu já tinha 34 anos e seria a última tentativa que eu teria para ser campeão mundial. Infelizmente me foi negado ser campeão do mundo, mas me orgulho muito de ter representado a seleção brasileira de 83 a 94'', afirmou Mozer. ''Como sempre fui um homem respeitador e sempre aprendi que temos que estar nos lugares em que nos querem, não criei muita confusão porque entendi que naquele período a seleção e o Mozer não poderiam estar juntos'', completou, sem citar o nome de Carlos Alberto Parreira, treinador daquela seleção.
Companheiro de Dunga na Copa de 90, Mozer elogiou o trabalho do ex-comandante do time nacional. ''Acho que o Dunga estava fazendo um trabalho muito bom. Estava tentando fazer que o ambiente na seleção fosse mais restrito, com mais concentração para trabalhar, mais tranquilidade. Infelizmente no nosso país o que é bom está muito associado a resultados, o bom fica encoberto quando não tem resultados'', analisou, antes de demonstrar sua reprovação com o futebol atual do selecionado brasileiro.
Para o ex-zagueiro, o Brasil perdeu sua característica no futebol. ''Tem uma renovação boa no Brasil e é importante nesse processo, que todos os jogadores que fazem parte da seleção realmente trabalhem, se dediquem, com orgulho de representar o país. Jogadores de qualidade sempre vamos ter. Apenas acho que deveríamos valorizar mais o que mais sabemos fazer, que é jogar bola, com mais magia, maior sentido de responsabilidade de todos para buscarem sempre a vitória'', cobrou.
O último clube de Mozer como treinador foi o Portimonense, da segunda divisão portuguesa. Ele ainda não teve chances em um clube de maior expressão e espera poder voltar a trabalhar no Brasil, agora comandando uma equipe. ''Obviamente, como estou muito tempo longe, tenho uma certa dificuldade de comunicação com o Brasil, com as pessoas que trabalham com futebol, mas tenho a esperança muito grande de retornar e dar sequência à minha carreira'', contou.
Parceria com Marinho
Mozer fez parte daquele time histórico do Flamengo, que ganhou a Libertadores e o Mundial de Clubes em 1981. E teve como grande parceiro nesta época o londrinense Marinho. ''Velho 'canguru', grande parceiro. Foi um homem que me ajudou muito dentro do Flamengo. Pôde me orientar bastante, aprendi bastante com ele, com o Rondinelli, com o Luís Pereira. Mas mais com o Marinho porque tive a oportuidade de jogar com ele por sete anos. Tivemos uma cumplicidade muito grande, nos complementávamos muito bem'', relembrou.
Ao lembrar daquele time épico, Mozer lembra da principal virtude: eram quase todos formados na Gávea. ''Isso nos dava uma união muito grande, um respeito muito grande um pelo outro, um respeito muito grande pelo clube, pelos torcedores, pelo que o Zico e o Júnior nos transmitiam'', concluiu Mozer.

mockup