Uma carta endereçada ao ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, ao presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, a políticos ligados ao esporte e a todos os presidentes de federações estaduais de ginástica foi a principal definição tirada ontem na audiência pública em prol da ginástica rítmica (GR) brasileira, realizada pela manhã na Câmara de Veredores de Londrina. Antes da audiência houve uma carreata que partiu do Campus Piza da Unopar (entidade que por mais de dez anos foi a sede de treinamentos da seleção brasileira de conjunto) e terminou em frente à Câmara Municipal. Pais e atletas carregaram faixas com mensagens de apelo, como ''Não deixe a GR morrer'' e ''O sonho não pode acabar''.
A carta redigida ontem foi assinada por todos os presentes entre eles vereadores, um deputado, pais e amigos de atletas e técnicos de outras modalidades e será encaminhada ainda esta semana a Brasília, onde uma comissão deverá ser recebida no próximo dia 14 por Queiroz.
O vereador Gláudio Renato de Lima (PT), que ficou encarregado de pedir o apoio do prefeito Nedson Micheleti (PT) à causa e também de cobrar uma posição do governo federal em relação à questão, informou que Nedson estava ontem em Brasília e de lá já teria agendado contatos com deputados e com a assessoria do ministro, que está em viagem com o presidente Lula.
FN62>Queda A audiência foi convocada para mostrar à sociedade a crise que está instalada na Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) desde que a presidente, Vicélia Flrenzano, foi afastada do cargo por decisão da Justiça, e para questionar como será o futuro da GR no Brasil após a dissolução da seleção brasileira de conjunto, determinada pela CBG no final de 2004, após a Olimpíada de Atenas.
A ex-técnica da seleção de conjunto, a londrinense Bárbara Laffranchi, chamou a atenção para a queda brusca de rendimento da equipe brasileira após a decisão da CBG de espalhar as atletas pelo Brasil. Foram criados pólos em Belém, Vitória, Aracaju e Joinville.
''Mantivemos durante cinco anos o 8º posto do ranking mundial. Ficamos nesta posição nos Jogos de Sydney, de Atenas e no Mundial de Nova Orleans (EUA), em 2002. No ano passado, depois dessa decisão unilateral da CBG, o Brasil caiu para o 17º lugar no Mundial de Baku (Azerbaijão) por causa de um ano de trabalho mal feito pela confederação'', criticou Bárbara.
Ela diz que foi ''um descabimento'' separar em cidades diferentes as ginastas do conjunto. ''Isso só se pode fazer com esportes individuais, nunca com coletivos''.
O vereador Gláudio de Lima, que é formado em Educação Física, reforçou o protesto dizendo que foi um contrasenso a CBG dissolver a seleção. ''Enquanto outras modalidades montaram centros de excelência de primeiro mundo, como o vôlei (no Rio de Janeiro) e a própria ginástica olímpica (em Curitiba), aqui com a GR se fez o contrário. Do jeito que está será um mico a seleção de conjunto não pegar pódio no próximo Pan, que será justamente no Brasil'', alertou.

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