Movidos pelo sonho
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segunda-feira, 07 de maio de 2012
Thiago Mossini <br> Reportagem Local 
O sonho de jogar no exterior e fazer fortuna move muitos garotos que almejam ser jogador de futebol. Mas move também quem já está com anos de estrada e quer ter uma experiência internacional. E é com um grupo que mescla estas duas camadas de atletas que o Clube Atlético Cambé (CAC) embarca para a Hungria no próximo sábado. A equipe fará cinco amistosos por lá para mostrar e, quem sabe, vender jogadores para clubes daquele país. É a segunda vez que a empresa que gerencia o clube, a Pat Sports, faz a excursão. No ano passado, dos 16 jogadores que viajaram, 14 ficaram no Velho Continente.
O meia Vágner tem 20 anos e já vai para sua terceira tentativa de atuar fora do país. Ele passou um período na Coreia do Sul, mas não foi contratado. No ano passado, fez parte do elenco do Cincão que disputou um torneio na Espanha, mas também não chamou a atenção de nenhum olheiro. Agora, em Budapeste, espera ter sorte melhor. ''Da outra vez, um monte de jogador ficou lá. Os caras lá não são bons. Por isso, tem que chegar e destruir em campo, chamar a atenção e ficar uns cinco anos lá'', afirmou o jogador.
O jogador está há cinco meses sem clube e, consequentemente, sem salários. Mesmo assim, não desiste do sonho de ser jogador. ''Tenho que apelar para o meu pai para comprar as minhas coisas. Mas desistir nem pensar. Estou novo ainda e meu pai me apoia. Tem cada cara ruim jogando por aí'', contou. ''Se não der certo desta vez, tenho que voltar, disputar a Terceira Divisão e tentar de novo. Mas tem que dar certo, em nome de Jesus. Preciso ganhar dinheiro'', completou.
Com passagens por quase todos os clubes do interior do Paraná, o meia Danielzinho, 29 anos, já não é tão novo quanto Vagner, mas ele também sonha com os euros. O jogador nunca atuou ou viajou para fora do país. ''Tive a oportunidade de ir jogar na Costa Rica e na Colômbia, mas por questões familiares não fui'', contou.
Danielzinho já faz até projeções para o caso de ser contratado por algum clube húngaro. ''Estou mais experiente agora, mais 'tarimbado'. É a chance de fazer um 'pé de meia'. Se tudo der certo, quero ficar lá uns quatro ou cinco anos e encerrar a carreira por lá'', projetou.
Experiência nacional e internacional é o que não falta para o zagueiro Pereira, de 32 anos. Ele também está no grupo de jogadores que o CAC levará para a Hungria. Quer voltar ao Velho Continente antes de encerrar a carreira. O experiente jogador já passou por Adap, Toledo, Coritiba, Operário, futebol turco e iraniano, além de ter defendido o Alianza Lima, do Peru, em 2010.
Foi no clube peruano que viveu uma experiência desagradável. ''O empresário que me levou para lá pegou o dinheiro da negociação e me deixou lá, sem dinheiro, sem informação. Acontece muito isso'', lamentou.
Pereira acredita que pode jogar ainda mais uns três ou quatro anos em um nível bom e considera ideal passar esse período fora do país. Mesmo sendo mais velho do que os outros jogadores do grupo que vai viajar, ele não vê problemas em passar por avaliação. ''Não é porque tenho 32 anos, que não vou pensar alto. É o sonho de todo mundo viajar para o exterior, principalmente quando não conhece. Vou e quero ficar'', encerrou Pereira.


