Moura teve problemas como deputado e na FPF
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 07 (AE) - O presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Nilo Rolim de Moura, já teve cassado o único mandato como deputado federal, em dezembro de 1993, acusado de comprar parlamentares para ampliar a bancada de seu partido, o PSD, e foi afastado durante seis meses da presidência da entidade de futebol, por não pagar dívidas do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). Voltou à FPF com poder total, há cerca de um ano, e hoje é o chefe da delegação brasileira na Copa América.
Moura chegou a Curitiba em 64, vindo do interior de Santa Catarina, para trabalhar como funcionário da Aços Vilares. Pouco tempo depois, montou sua própria empresa, atuando no mesmo ramo, e integrou-se à diretoria do Clube Atlético Paranaense. Em 81, chegou à presidência do clube, conquistando o bicampeonato paranaense e o 3º lugar no Brasileiro, melhor atuação do Atlético até agora.
Em 85, foi eleito presidente da FPF, onde continua, apesar de alguns afastamentos temporários. A retomada da construção do Estádio do Pinheirão, paralisada desde o início da década de 70, foi sua promessa de campanha. Em três meses conseguiu inaugurá-lo. Maior estádio do Paraná, com capacidade para 55 mil pessoas, hoje precisa ter o destino definido. Era usado como estádio oficial do Atlético, que agora reinaugurou a Baixada. Longe do centro de Curitiba, o Pinheirão é evitado pela torcida.
No segundo semestre de 97, Moura viu-se envolvido em várias denúncias, algumas delas na Justiça, de entidades que reclamavam o não pagamento de dívidas. Duas delas ganharam mais força. A principal, uma dívida com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em valor aproximado de R$ 2 milhões, na época. O INSS alega sigilo fiscal e não dá informações atualizadas.
Por um acordo com o INSS, a FPF tinha se responsabilizado a recolher 5% da receita dos jogos realizados no Estado diretamente aos cofres do órgão previdenciário, mas isso não acontecia há pelo menos dois anos.
O Ministério Público Federal foi acionado pelo INSS e apresentou denúncia à Justiça, onde o processo está sendo examinado.
A outra denúncia que ganhou repercussão foi feita pela prefeitura de Curitiba. Entre os anos de 1991 e 1996, a federação deixou de recolher cerca de R$ 1,3 milhão aos cofres municipais, principalmente referentes ao IPTU. Por essa dívida, Moura foi afastado em dezembro de 97, assumindo o interventor Vicente Paschoal Rodacki em seu lugar.
O presidente afastado alegou que não vinha pagando as dívidas, pois todo o dinheiro que entrava nos cofres da federação era destinado à reforma do Pinheirão, com a renda do qual pretendia honrar os compromissos.
Seis meses depois, Onaireves retornou ao seu posto prometendo levantar o dinheiro necessário para pagar as dívidas com contratos de fornecimento de material esportivo e placas de publicidade. Segundo o procurador fiscal do município de Curitiba, Eládio Prados Júnior, a FPF tem pago ao município basicamente os juros da dívida. De cerca de R$ 900 mil da dívida executada, a federação pagou no mês de junho pouco mais de R$ 18 1 mil.
Apesar de toda a vivência no futebol, Moura ficou nacionalmente conhecido em razão dos problemas na política. Deputado federal, Moura reuniu um grupo de apoio ao presidente Fernando Collor de Mello num jantar em sua casa em Brasília, dias antes da sessão que aprovou o impeachment. Mas, no dia votação, votou favorável ao afastamento de Collor.
No ano seguinte, teve o mandato cassado depois que uma comissão de sindicância da Câmara comprovou que alguns parlamentares tinham recebido entre US$ 30 mil e US$ 85 mil para filiarem-se ao PSD. Moura foi acusado de ser um dos que compraram as filiações para aumentar o tempo da campanha eleitoral gratuita de seu partido.


