Curitiba - A guerra dos bastidores pela indicação do estádio paranaense candidato a sediar jogos da Copa do Mundo de 2014 pegou fogo na tarde de ontem. O presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Moura, reuniu a imprensa para anunciar que entrou com processo contra Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético Paranaense - clube que defende a indicação da Arena e não do Pinheirão, para receber o Mundial.
O pedido protocolado na Promotoria de Defesa do Consumidor pede investigação no Atlético e em empresas supostamente ligadas a Petraglia. Em seis itens, cita, entre outras supostas irregularidades, divergências entre o balanço oficial do clube com o publicado na imprensa (diferença que, segundo Moura, está sob investigação da Receita Federal). Questiona o valor gasto com a aquisição de 21 mil cadeiras da Arena (R$ 4 milhões), comparando aos custos do Coritiba (R$ 180 mil em 15 mil cadeiras) e da FPF (R$ 228 mil em 17 mil cadeiras) respectivamente, no Couto Pereira e no Pinheirão. E afirma ainda que a empresa Kango Brasil, que vendeu as cadeiras, estaria sediada no mesmo endereço da All Solution Gestão Empresarial, empresa que teria como sócios Petraglia e sua esposa.
Outras acusações dizem respeito a supostas irregularidades em borderôs da Arena (que apontariam o valor recebido de R$ 5,00 nos ingressos de sócios, ao invés do valor cobrado de R$ 20,00), e aos rendimentos de R$ 2,5 milhões supostamente recebidos por Petraglia da Itaú Previdência no ano passado.
Moura justifica a ação dizendo receber muitas queixas sobre o Atlético, inclusive em relação ao preço dos ingressos. ''O Coritiba e o Paraná não cobraram mais quando colocaram cadeiras em seus estádios. Além disso, eu jamais usaria a minha mulher e o meu filho para fazer negócios com a federação, como ele fez no clube. Quero saber também onde estão os R$ 58 milhões que o clube recebeu com a venda de atletas, pois não foi contratado nenhum grande jogador nos últimos anos'', afirma.
Moura, que anunciou também seu afastamento da federação por 90 dias para, ''permitir que seja feita uma auditoria independente'' - em relação às três denúncias contra a entidade que serão julgadas pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva - atacou também o procurador-geral do tribunal, Paulo Schmitt. ''Ele, que se diz guardião da ética, foi exonerado da Paraná Esporte por corrupção. E precisa explicar a situação da Praxis e dos casos envolvendo Engenheiro Beltrão e Rio Branco''.
Em resposta à acusação, o procurador afirma que foi exonerado do cargo comissionado na troca de governo e nega qualquer favorecimento à Praxis, da qual é sócio, em negócios com o governo. ''A empresa vendeu softwares ao Estado em 2004, um ano antes de eu assumir o cargo. Não há irregularidade alguma'', explica Schmitt, que afirma que pode entrar com um processo contra Moura pelas acusações. Também procurado pela reportagem, Petraglia não foi encontrado.

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