Moura e mais oito são presos acusados de desviar R$ 5 mi
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quarta-feira, 07 de novembro de 2007
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Foram cinco meses de investigação antes da Operação Cartão Vermelho, da Polícia Civil, ser deflagrada e prender ontem nove pessoas suspeitas de terem desviado recursos do futebol paranaense. Entre os presos estão dois dos dirigentes esportivos mais conhecidos no Paraná: Onaireves Rolim de Moura - que ficou na presidência da Federação Paranaense de Futebol (FPF) por 22 anos e foi afastado em junho por decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) - e Cirus Itiberê da Cunha (diretor-financeiro da federação e presidente da Comfiar - Comissão Fiscalizadora de Arrecadação).
As prisões foram possíveis após análise da contabilidade da Comfiar e do material apreendido em junho na própria sede da FPF. A empresa Comfiar foi criada em 1994 por meio de um estatuto, mas só foi constituída a partir de outubro de 2006. Caberia à empresa a fiscalização da renda dos clubes, a comercialização dos campeonatos e a operação da FPFTV - uma televisão criada para transmissão de jogos pela internet. Entre o material apreendido, estavam balancetes, atas, contrato social e listas de funcionários.
No início, existiriam indícios de que Moura usava a Comfiar para não pagar os credores da federação, já que 2,5% da arrecadação dos jogos no Campeonato Brasileiro eram da empresa e outros 2,5% da FPF. No caso do Campeonato Paranaense, 5% eram da FPF e outros 5% da Comfiar.
De acordo com o secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, o dinheiro desviado pela Comfiar provavelmente teria sido incorporado no patrimônio pessoal de Moura e dos demais presos. ''Foram R$ 5 milhões só com os jogos de futebol. Isso sem olhar as outras fraudes praticadas pelo grupo'', declarou.
O grupo também teria desviado R$ 350 mil de direitos de transmissão dos campeonatos paranaenses de 2006 e 2007. Outro lesado teria sido a Federação das Associações dos Atletas Profissionais (Faap) que teria direito a 1% das arrecadações das competições nacionais e desde 1994 não teria recebido nenhum centavo. Ao todo, teriam sido desviados mais de R$ 1,1 milhão da associação dos desportistas.
Outra irregularidade teria sido constatada no feirão de automóveis que a FPF promovia no estacionamento do Pinheirão. Recursos teriam sido arrecadados para a federação, mas não teriam sido incorporados no cofre da instituição desportiva.
Uma escola técnica também seria usada para lavagem de dinheiro, mas nunca teria funcionado efetivamente. Era usada apenas para transferência de dinheiro. Assim como uma igreja fundada em Santa Catarina. ''Eles tentaram regularizar o desvio. O que temos é o suficiente para comprovarmos a fraude. A maracutaia foi devidamente demonstrada no futebol do Paraná'', disse ele. Os presos estão sendo indiciados por desvio de dinheiro, fraude processual, estelionato e apropriação indébita.
Além de Moura e Cunha foram presos: Carlos Roberto de Oliveira (presidente do Conselho Fiscal da FPF), Marco Aurélio Rodrigues (fiscal da Comfiar), Laércio Polanski (contador e tesoureiro da FPF), José Johelson Pissaia (diretor administrativo da FPF), César Alberto Teixeira de Oliveira (ex-fiscal suplente da Comfiar), Vanderlei Manoel Ignácio (dono do Colégio Técnico de Futebol Pinheirão) e Roberto Tiboni (arrendatário do estacionamento do Pinheirão para os feirões).
O advogado da FPF, Vinícius Gasparini, nega qualquer irregularidade nas contas da federação. ''Não existe fraude contra credores. A empresa já estava prevista em estatuto, apenas foi criada seguindo critérios pré-estabelecidos. Além disso, as duas contabilidades, da Comfiar e da federação, se fundem numa só. Se algum credor se sentisse prejudicado, poderia pedir auditoria imediata. A Comfiar estava devidamente legalizada, pagava os encargos sociais e seus funcionários. Vamos provar a inocência de todos'', afirmou, em recente entrevista à FOLHA. Ontem, porém, Gasparini não foi localizado.


