Moura descobre onde estava o dinheiro
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quinta-feira, 22 de março de 2001
Melissa Crocetti De Curitiba 
Um dia depois de depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) o presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Moura, reconheceu a operação feita pela entidade com lastro em ouro num total de US$ 328 mil dólares. Quando depus não tinha lembrança que fizemos esta aplicação. Agora procurei os documentos na contabilidade e encontrei, disse o presidente em entrevista coletiva, na Federação, ontem.
Segundo Moura no ano de 1995 a empresa Trafic, responsável pela transmissão televisiva de jogos esportivos, depositou a quantia de R$ 153 mil, na conta da Federação, no Banco Bamerindus. Nesta época o dólar equivalia a moeda brasileira. Através de uma aplicação financeira do banco, o overnight, a quantia chegou ao valor questionado pela CPI, em ouro, que investigou as contas entre 1995 e 2000. Isso foi uma remuneração voluntária do banco por meio de sucessivas aplicações. Está contabilizado no rendimento da Federação e tenho os documentos que comprovam.
O presidente alega que o dinheiro foi distribuído aos clubes no mesmo ano e que ficou aplicado durante, no máximo, uma semana. Pelos documentos da contabilidade, repassados pela federação, cada clube ficou com a seguinte quantia: Londrina com R$ 6 mil; Coritiba com R$ 34 mil; Atlético com R$ 14 mil; Cascavel com R$ 2 mil; União Bandeirante com R$ 2 mil; Matsubara com R$ 8 mil; Rio Branco com R$ 2 mil; Batel com R$ 2 mil e Toledo com R$ 4 mil. A soma do repasse é de R$ 74 mil.
A Federação também está sendo investigada pelos gastos através da Comissão da Construção do Estádio do Paraná, a COCEP. A entidade, paralela a Federação mas dependente dela financeiramente, foi criada para promover os recursos necessários à construção do estádio do Pinheirão. Não é um caixa dois. Repassamos a receita que obtemos para que as despesas com a construção se paguem, disse.


