São Paulo - Um garoto nascido há 24 anos em Urbino, Itália, poderia ser um grande personagem para o escritor russo, naturalizado norte-americano, Isaac Asimov, autor do clássico da ficção científica ''Eu Robô'', que apresenta a evolução das máquinas. O piloto Valentino Rossi provou pela Yamaha este ano que não precisa ter a melhor moto para ser campeão mundial na categoria MotoGP. Com 304 pontos e nove vitórias, o ''Doutor'' superou as poderosas e favoritas Hondas de Sete Gibernau e Max Biaggi para dar o campeonato à Yamaha, após 12 anos de jejum, no ano de sua estréia na equipe.

Em um mosaico de declarações reunidas durante este ano, Rossi fala da expectativa em andar com a Yamaha, os problemas para acertar a moto, a queda no Rio e a alegria em superar o maior desafio de sua carreira.

Momento de ouro

''As três corridas que ganhei na sequência em Mugello, Barcelona e Assen (Holanda). Foram tijolos importantes para o campeonato. Porque vieram depois de batalhas com Gibernau até a última volta.''

Maior prazer

''A conquista do título na Yamaha. Havia muita tensão quando decidi sair da Honda. Assumi enorme responsabilidade, mas era uma coisa que eu queria fazer, mas não sabia se teria coragem. Era de noite, estava deitado e não conseguia dormir. Sabia que deveria dar aquele passo, mas me faltava um empurrão. Eram muitas dúvidas. Tinha convicção de que era a escolha certa, mas achava que precisaria de mais tempo.''

Crise

''A corrida de Sachsenring (Alemanha). Estava chegando do Rio, onde eu caí e em momento algum conseguimos acertar a moto. Em três dias, não chegamos sequer a encontrar um acerto razoável, depois estes mesmos problemas se estenderam para a corrida da Alemanha. A moto realmente não funcionava e os pneus acabavam. Na França tivemos algo parecido, mas conseguimos solucionar. Na Alemanha, porém, era a segunda vez seguida que enfrentávamos este problema. Ficamos com a impressão de que o problema poderia se estender para o restante do campeonato.''

Alegria

''24 de janeiro na Malásia, quando testei pela primeira vez a moto da Yamaha. Mas também a primeira vez que estive na sede da Yamaha, em Milão, e vi minha nova Moto a M1 ainda preta com Jeremy Burgess trabalhando nela. Foi um momento lindo.''

Cansaço

''Depois de Donington. Muitas corridas, uma após a outra, ali fizemos um enorme esforço para tentar modificar a situação. Quando acabou o fim de semana, que tivemos um dia a mais de treino, eu realmente precisava de férias. Fora desta fase, não tive nenhum outro momento de queda de performance, nem quando fizemos milhares de quilômetros em testes. Minha concentração era enorme e estava muito motivado.''

Euforia

''Os testes de Barcelona, quando fiz melhor tempo e vi que a nossa moto era rápida. Pela primeira vez ficamos à frente, com muita gente assistindo e a TV transmitindo.''

Desespero

''Não, não tivemos um momento real de desespero. Talvez no Rio, quando não conseguimos resolver os problemas.''

Fantasia

''Em Assen, a última ultrapassagem sobre Gibernau. Foi pura invenção. Achava que a corrida já havia acabado e não conseguiria mais ultrapassá-lo, mas ele saiu um pelinho mais lento de uma curva e eu estava exatamente ali e decidi tentar a manobra.''

Decepção

''Quando acordei no dia da corrida de Jerez e vi que estava chovendo. Se tivesse seca, tenho certeza de que poderíamos partir logo para uma ótima performance, mas infelizmente choveu e só consegui o quarto lugar.''

Adrenalina

''As primeiras doze voltas em Mugello, no seco, com muitas ultrapassagens. Eles me passavam na reta e eu os ultrapassava nas freagens.''

Ataque

''Em Welkom (África do Sul). Ataquei sempre. Da sexta-feira pela manhã ao domingo à tarde. Compreendi que esta era a única maneira de vencer.''

Defesa

''Em Le Mans, onde não tínhamos a moto no seu melhor e em Saschsenring, quando começaram nossos grandes problemas.''

Pressão

''Os testes. Não tínhamos idéia do nível da M1. Confesso que estava preocupado, porque em 2003 a diferença entre Honda e Yamaha parecia grande.''

Magia

''Welkom. Um sonho. Ali ficou evidente a minha contundência e classe como piloto. Para chegar a um momento tão especial é preciso suporte da equipe.''

Ferrari

''Quando testei o carro em Fiorano foi muito legal ver como tudo funciona. Sou um piloto de moto e portanto nunca foi meu sonho aquele. Mudei de idéia sobre as pessoas da Ferrari. Na realidade nunca tive nada contra eles, mas vê-los trabalhar foi interessante.''

Raiva

''No Catar. Muita raiva contra todos aqueles que tiveram responsabilidade com o que aconteceu. Muita raiva para tentar fazer um bom resultado apesar de sair em último (Rossi foi punido). Talvez em demasia (ele caiu).''

Revelação

''De novo Catar. Vimos que a Honda não aceitava perder e este esporte mudou porque hoje existem interesses mais importantes.''

Relaxamento

''Se você relaxar, não vai além do quarto lugar.''

Momento difícil

''No Catar, caí por erro meu, coisa que não acontecia desde 2001. Foi feio, sobretudo quando vi as luvas abertas, cheias de sangue, não tinha coragem de tirá-las.''

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