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Esporte

m de leitura Atualizado em 26/05/2022, 18:08

Motociclista mais rápida do mundo é modelo e desafiou família para pilotar

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quinta-feira, 26 de maio de 2022


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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A norte-americana Patricia Fernandez, de 36 anos, se apaixonou pelo motociclismo muito nova, tanto que nem consegue lembrar quando. Para fazer o que tanto ama, além da resistência da família, teve que enfrentar o machismo em um esporte dominado por homens. Ao longo dos últimos dez anos, ela vem quebrando barreiras, se tornou a mulher mais rápida do mundo no GP urbano de Ulster, na Irlanda, e a primeira a competir no King of Bagger, em que as motos têm 100 kg de bagagem. Além disso tudo, sobra para Patricia tempo e disposição para atuar como modelo.

A admiração da norte-americana de Tulsa, Oklahoma, pelo mundo da velocidade começou muito cedo, mas ela conta que só notou que uma mulher poderia pilotar motocicletas esportivas assistindo ao filme Matrix.

Ela afirma que, no início, teve que enfrentar a resistência da família para fazer o que ama. O pai lhe dizia que ela não poderia ter uma motocicleta enquanto morasse na casa dele. Então, aos 18 anos ela juntou os primeiros salários, e comprou, de segunda mão, uma Suzuki GS500F por US$ 4 mil (o equivalente a R$ 19,3 mil, na cotação atual), e foi morar sozinha.

Em entrevista ao site espanhol Mundo Deportivo, Patricia diz que "ficou viciada" no motociclismo no primeiro dia que saiu para correr com os amigos. Não demorou muito para começar a competir profissionalmente, o que aconteceu em 2012.

"Quando comecei nas corridas profissionais, não havia muitas garotas, e era desagradável. No início, todos queriam me ajudar. Eu era a única garota na pista. Eles [os outros pilotos] ofereciam ajuda porque eu não era uma ameaça para eles", relembra ao site Motorbike Writer.

As coisas mudaram, no entanto, quando ela passou a mostrar resultados. "Eu senti que, conforme eu progredia e me tornava mais rápida, eles não queriam me ajudar. E então eu me tornei uma concorrente para eles. E foi aí que começou a ficar feio. Lembro que primeiro queria aros cor-de-rosa e todas essas outras coisas, mas tivemos que acabar escondendo. Cheguei ao ponto em que tive que prender meu cabelo e deixar a moto preta para passar despercebida porque os caras me diziam que me miravam, se fixavam em mim ou batiam na minha moto."

Patricia afirma que, com o passar dos anos, o esporte ganhou mais mulheres e que ela própria conquistou o respeito dos adversários, embora tenha se sentindo ameaçada na pista em algumas ocasiões. "Eu lembro que um cara batia em você ou te empurrava na pista, meio que te intimidava. E então me cansei disso. Cheguei ao ponto em que empurrei de volta alguém que fez isso comigo".

Em 2018, Patricia estabeleceu o recorde de velocidade para uma mulher no GP de Ulster no circuito de rua de Dundrod, na Irlanda.

Ela superou a britânica Maria Costello, que tinha o recorde anterior com 188,29 km/h em um moto de 1000 cilindradas. Patrícia, porém, atingiu 189,9 km/h com uma Yamaha 600 e desde então vem batendo seu próprio recorde: 192,48 km/h em 2017 e em 2018 ela acelerou sua Kawasaki ZX-10 a 194 km/h.

Embora seja apaixonada por estradas, ficar presa a apenas uma categoria não faz parte da vida de Patricia. Ela também pilotou em superbike, motorcross e até mesmo sidecars (em que as motos têm uma espécie de carro auxiliar para passageiro - chamado de macaco).

Em 2021, inovou novamente e foi a primeira mulher a competir no King of Baggers —no caso dela, Queen— , em que as motos, Harleys e Indians, são equipadas com caixas laterais, que pesam 100 kg. As motos têm cerca de 288 kg, enquanto uma Superbike pode chegar a 185 kg.

Ela disse ao Motorbiker que quando foi convidada para participar do Bagger, nem cogitou não tentar. "Minha vida toda é: 'eu vou tentar'. E foi isso que eu disse a Cory [West, piloto e namorado]: 'Não sei se serei boa, mas estou disposta a tentar.'

Patricia garante que nunca vai deixar de andar de moto. Porém, já abriu espaço para outros trabalhos. "Acho que é uma daquelas coisas em que o futuro é meio agridoce. Como piloto, você sabe que não poderá correr tanto quando estiver mais velho".

Ao Motorbike, ela citou algumas profissões, como paramédica e ou ainda trabalhar com marketing e organização de eventos, tudo para manter-se perto do mundo das corridas, como possibilidades para o futuro. Neste momento, já tem uma porta aberta para a norte-americana, que passou a ser chamada para trabalhos publicitários —o que a pegou de surpresa.

Patricia disse que demorou para enxergar a si própria como uma mulher atraente e que, por muito tempo, deixou a feminilidade de lado para ser "levada a sério" no mundo masculino das competições. Ela lembrou que foi uma mulher que trabalhava no setor de marketing de um de seus patrocinadores a convenceu do contrário.

"Ela disse: 'Você é uma dama em primeiro lugar e também é uma corredora. Você já está credenciada. Você precisa se comercializar. Você tem algo que ninguém mais tem.' Isso foi depois de eu já ser profissional e estar correndo no exterior. Foi um momento de luz para mim. Então eu fiquei tipo: 'cara, talvez eu devesse começar a utilizar isso'."

Conhecida como Lady Racer no Instagram, Patrícia, que agora já garantiu seu espaço e o respeito que merece no mundo da velocidade, se sente livre para compartilhar com seus quase 48 mil seguidores tanto imagens do seu dia a dia como piloto, quanto fotos sensuais, além de publis para patrocinadores.